Aston Martin afunda e culpa tarifas de Trump
Num dos momentos mais ambiciosos da sua história recente, a Aston Martin enfrenta uma das maiores crises financeiras dos últimos anos. Quebras nas vendas, colapso no mercado chinês e tarifas norte-americanas colocaram a marca britânica sob forte pressão.
Vendas caem e prejuízo dispara
A Aston Martin vendeu 5.448 veículos em 2025, menos 10% face às 6.030 unidades de 2024 e ainda abaixo do recorde de 6.620 automóveis registado em 2023.
A quebra nas vendas refletiu-se diretamente nas contas. A faturação caiu 21%, fixando-se em 1,26 mil milhões de libras. Os prejuízos operacionais aumentaram 161%, ultrapassando os 259 milhões de libras, enquanto o resultado líquido negativo atingiu 493 milhões de libras, o equivalente a cerca de 562 milhões de euros.
Estes números contrastam com uma fase em que a marca dispõe de uma das gamas mais potentes e exclusivas da sua história.
Supercarros não travam a crise
Entre os modelos mais emblemáticos entregues recentemente estão o Aston Martin Valhalla, com 1.079 cv e produção limitada a 999 unidades, a partir de 800 mil euros, e o Aston Martin Valkyrie, com 1.155 cv e apenas 275 unidades, com preços superiores a 3 milhões de euros.
Apesar do impacto mediático destes supercarros, o contexto internacional acabou por anular o efeito positivo na rentabilidade global.
A culpa atribuída a Donald Trump
A desaceleração da economia chinesa afetou fortemente os construtores de luxo. No caso da Aston Martin, a China representava 29% das vendas em 2021, mas caiu para apenas 5% em 2025.
Nos Estados Unidos, mercado historicamente crucial para a marca, a situação também se agravou. Em 2025, os EUA representaram 34% das vendas globais. Contudo, as tarifas de 10% impostas pela administração de Donald Trump sobre veículos provenientes do Reino Unido reduziram as margens de lucro.
Segundo Adrian Hallmark, CEO da marca:
“Não pretendemos acusar Trump de todos os nossos problemas, mas foram as suas decisões em termos de impostos às importações que causaram a maioria das dificuldades em 2025.”
O responsável acrescentou ainda:
“O nosso objectivo para 2025 era atingirmos o breakeven, mas falhámos por uma larga margem.”
O termo “breakeven” refere-se ao ponto de equilíbrio financeiro, quando as receitas igualam os custos e a empresa deixa de ter prejuízo.
Perante o cenário, a Aston Martin admite mesmo ponderar cessar a exportação de veículos para os Estados Unidos.
Cortes de 20% na força de trabalho
Para enfrentar o cenário adverso, a marca anunciou um plano de redução de custos agressivo.
A empresa vai despedir 20% dos trabalhadores, medida que permitirá poupar cerca de 40 milhões de libras. Adicionalmente, será efetuado um corte de 15 milhões de libras através da reestruturação de programas internos.
A maior poupança, contudo, virá do adiamento do desenvolvimento de modelos elétricos. A decisão deverá representar uma economia de 300 milhões de libras nos próximos cinco anos.
Segundo Hallmark, esta estratégia “deverá permitir uma melhoria significativa nos resultados de 2026”.
Um momento decisivo para a marca
O desempenho de 2025 coloca a Aston Martin num ponto crítico. Apesar de dispor de uma gama tecnicamente avançada e altamente exclusiva, fatores macroeconómicos e geopolíticos acabaram por impactar fortemente a rentabilidade.
A recuperação dependerá da evolução dos mercados-chave e da capacidade da marca em ajustar custos sem comprometer a sua identidade premium.
Fonte: Bloomberg
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