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Carregamento AC e DC: tempos, custos e impacto na bateria

Carregamento AC e DC: tempos, custos e impacto na bateria

Com a massificação dos carros elétricos, surgiu também um novo vocabulário técnico que nem sempre é fácil de interpretar. Um dos conceitos mais importantes, e mais mal compreendidos, é a diferença entre carregamento AC e DC. Para muitos utilizadores, tudo se resume a “carregar em casa” ou “carregar num posto rápido”, mas na prática existem diferenças técnicas profundas que influenciam tempo de carregamento, custo, desgaste da bateria e até a forma como se planeiam viagens longas.

Não se trata apenas de tecnologia, mas de impacto real no dia a dia: quanto tempo o carro fica parado, quanto custa cada carregamento e que tipo de infraestrutura faz mais sentido para cada perfil de utilização.

Neste artigo explicamos a diferença entre carregamento AC e DC na prática, sem linguagem excessivamente técnica, com exemplos reais e foco no que realmente interessa ao utilizador.

O que significa AC e DC?

AC e DC referem-se ao tipo de corrente elétrica utilizada no processo de carregamento.

AC (corrente alternada) é o tipo de energia que chega às nossas casas e à maioria dos edifícios. É a corrente fornecida pelas tomadas domésticas e pelos carregadores de parede (wallbox).

DC (corrente contínua) é a forma de energia que as baterias utilizam internamente. Toda a energia armazenada na bateria de um carro elétrico é, por natureza, DC.

A diferença está em onde acontece a conversão de AC para DC.

Como funciona o carregamento AC na prática?

Carro eletrico a carregar AC

Quando ligas um carro elétrico a uma tomada doméstica ou a uma wallbox, estás a fornecer energia em corrente alternada. O carro possui um componente interno chamado carregador de bordo, responsável por converter essa energia em corrente contínua antes de a enviar para a bateria.

Isto significa que, no carregamento AC, a velocidade de carregamento depende diretamente da capacidade desse carregador interno. Mesmo que a wallbox seja potente, o carro nunca carregará mais depressa do que aquilo que o seu sistema permite.

Na prática, o carregamento AC é mais lento, mas também mais estável, previsível e suave para a bateria. É o tipo de carregamento pensado para longos períodos de estacionamento, como durante a noite em casa ou durante o dia no trabalho.

Como funciona o carregamento DC na prática?

Carregadores elétricos DC

No carregamento DC, a lógica inverte-se. A conversão da energia é feita fora do carro, dentro do próprio posto de carregamento rápido. O veículo recebe diretamente corrente contínua, pronta a ser armazenada na bateria, sem passar pelo carregador interno.

Este processo permite potências muito superiores e tempos de carregamento drasticamente mais curtos. É por isso que os postos rápidos em autoestradas conseguem carregar 60, 70 ou até 80% da bateria em menos de meia hora.

Na prática, o carregamento DC existe para resolver um problema específico: permitir viagens longas sem tempos de espera excessivos.

A diferença real nos tempos de carregamento

É aqui que a distinção entre AC e DC se torna verdadeiramente visível. Em carregamento AC, estamos a falar de horas. Numa tomada doméstica simples, um carro elétrico pode demorar mais de um dia inteiro a carregar totalmente. Com uma wallbox comum, esse tempo reduz-se para cerca de seis a oito horas, o que encaixa perfeitamente numa rotina noturna.

Já no carregamento DC, os tempos são medidos em minutos. Um posto de 50 kW consegue repor grande parte da bateria em menos de uma hora. Em postos mais potentes, esse tempo desce ainda mais.

A diferença não é apenas numérica, é conceptual. O AC serve para carregar enquanto se vive. O DC serve para carregar enquanto se viaja.

Impacto na bateria ao longo do tempo

Bateria de Carro elétrico

Do ponto de vista técnico, o carregamento AC é mais benéfico para a saúde da bateria. O processo é mais lento, gera menos calor e submete as células a menos stress químico. Ao longo dos anos, isto traduz-se numa degradação mais lenta e previsível.

O carregamento DC, por ser muito mais intenso, aquece mais a bateria e acelera os processos internos. Isso não significa que seja prejudicial por si só, mas sim que deve ser usado com moderação. Utilizar DC ocasionalmente não traz consequências relevantes. Usá-lo diariamente, como rotina, pode sim acelerar a perda de capacidade.

Na prática, a melhor estratégia é simples: AC como base, DC como exceção.

Diferença de custos na prática

Outro fator decisivo é o custo. O carregamento AC em casa é, de longe, a forma mais barata de alimentar um carro elétrico. O preço depende apenas da tarifa elétrica e, mesmo com aumentos, continua a ser muito inferior ao custo de abastecer um carro a combustão.

O carregamento DC, por outro lado, inclui não só o custo da energia, mas também a infraestrutura, manutenção e margem dos operadores. O resultado é um preço por kWh significativamente mais elevado.

Na prática, quem depende maioritariamente de DC transforma um carro elétrico barato num carro elétrico caro.

Limitações técnicas dos próprios carros

Nem todos os carros elétricos carregam à mesma velocidade. Cada modelo tem limites específicos tanto em AC como em DC. Alguns aceitam apenas 7,4 kW em AC, outros chegam aos 11 ou 22 kW. Em DC, há carros limitados a 50 kW e outros que aceitam mais de 150 kW.

Isto significa que ligar um carro a um posto ultrarrápido não garante automaticamente carregamento ultrarrápido. O carro impõe sempre o seu próprio teto.

AC e DC na compra de um elétrico usado

Ao comprar um elétrico usado, a diferença entre AC e DC ganha ainda mais importância. Saber a potência máxima de carregamento, perceber como o carro foi utilizado e avaliar se a bateria sofreu muitos carregamentos rápidos são fatores que influenciam diretamente o valor real do veículo.

Um carro usado que foi maioritariamente carregado em AC tende a apresentar uma bateria em melhor estado do que um que viveu exclusivamente em postos rápidos.

Carregamento AC versus DC

A comparação entre carregamento AC e DC torna-se muito mais simples quando analisada pelos fatores que realmente interessam no dia a dia: tipo de utilização, tempo, custos e impacto na bateria.

Elemento em análiseAC (Corrente Alternada)DC (Corrente Contínua)
Tipo de carregamentoUso diário, casa, trabalho, estacionamento prolongado.Viagens longas, paragens rápidas, emergências.
Tempo de carregamentoLento: normalmente entre 4 a 10 horas (ou mais).Rápido: geralmente 15 a 40 minutos até 80%.
CustosBaixos, dependem apenas da tarifa elétrica doméstica.Elevados, incluem energia, infraestrutura e serviço.
Impacto na bateriaBaixo desgaste, mais saudável a longo prazo.Maior stress térmico se usado com frequência.

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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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