Mercedes pode ser banida dos EUA por ligação à China
Um novo projeto de lei nos Estados Unidos pode ter consequências inesperadas para a Mercedes-Benz. A proposta foi criada para travar fabricantes ligados à China, mas poderá atingir uma das marcas premium mais importantes do mercado norte-americano.
Mercedes-Benz pode ser afetada por lei contra fabricantes chineses
A Mercedes-Benz poderá enfrentar fortes restrições nos Estados Unidos caso avance um novo projeto de lei em discussão no Congresso norte-americano. A proposta, chamada Motor Vehicle Modernization Act of 2026, tem como objetivo limitar a presença de fabricantes automóveis com ligações a governos considerados adversários dos Estados Unidos.
O problema está na estrutura acionista da Mercedes-Benz. A maior acionista individual da marca alemã é a BAIC, fabricante automóvel estatal chinesa, com uma participação de 9,98% no grupo Mercedes-Benz. Por estar ligada ao Estado chinês, essa participação pode colocar a marca alemã dentro do alcance da proposta legislativa.
O projeto pretende proibir fabricantes com “qualquer participação acionista direta ou indireta por parte de um governo adversário estrangeiro” de importar, vender ou fabricar veículos para venda nos Estados Unidos.
O que está em causa na proposta
A proposta tem origem numa preocupação crescente em Washington: impedir que fabricantes chineses ganhem posição relevante no mercado automóvel norte-americano.
China, Rússia e Coreia do Norte são identificadas no documento como governos adversários estrangeiros. Se o texto avançar tal como está, empresas com participação acionista direta ou indireta desses governos poderão ficar impedidas de fabricar, vender ou importar automóveis nos Estados Unidos durante cinco anos após a entrada em vigor da lei.
O termo participação acionista refere-se à posse de ações ou capital numa empresa. Já a expressão governo adversário estrangeiro é usada no contexto legislativo norte-americano para identificar países considerados risco para a segurança económica ou nacional dos Estados Unidos.
Exceção pode não proteger a Mercedes
O projeto prevê algumas exceções para fabricantes que já produzem veículos de passageiros nos Estados Unidos há pelo menos cinco anos antes de 1 de janeiro de 2026. À primeira vista, essa regra poderia proteger a Mercedes-Benz, que tem uma forte presença industrial no país.
No entanto, a proposta também indica que essa exceção não se aplica a empresas com “qualquer participação acionista direta ou indireta por parte de um governo adversário estrangeiro”. É aqui que a participação da BAIC pode levantar problemas.
Uma antiga fonte ligada à política automóvel norte-americana afirmou que “a linguagem é inequívoca”, sugerindo que, se a lei for interpretada de forma literal, a Mercedes-Benz poderá mesmo ser abrangida.
Participação chinesa vai além da BAIC
A BAIC não é a única ligação chinesa relevante na estrutura acionista da Mercedes-Benz. O segundo maior acionista individual é Li Shufu, fundador e presidente da Geely, através da empresa Tenaciou3 Prospect Investment, com uma participação de 9,69%.
Somadas, as participações da BAIC e de Li Shufu representam 19,67% da Mercedes-Benz Group AG. Este dado é importante porque a proposta também menciona empresas “controladas por” um adversário estrangeiro, definindo controlo como uma participação de 15% detida por uma “pessoa ou combinação de pessoas estrangeiras”.
Esta formulação pode criar zonas cinzentas na interpretação da lei. A participação estatal direta da BAIC é uma questão. A soma entre participações chinesas distintas é outra.
Mercedes tem forte presença industrial nos EUA
A possível inclusão da Mercedes-Benz no âmbito desta proposta poderia ter impacto económico relevante nos Estados Unidos.
A marca alemã tem uma grande fábrica em Tuscaloosa, no Alabama, onde já produziu mais de cinco milhões de veículos desde o início da operação, em 1997. Também tem uma unidade na Carolina do Sul dedicada a comerciais ligeiros, que iniciou produção em 2006 e já fabricou mais de 450 mil vans.
A Mercedes-Benz também emprega mais de 10 mil pessoas nos Estados Unidos. Por isso, uma eventual proibição de fabricar, vender ou importar veículos novos poderia afetar não apenas a marca, mas também trabalhadores, fornecedores e comunidades ligadas à produção automóvel.
Outras marcas também podem ser afetadas
A Mercedes-Benz não é a única fabricante que poderá ser exposta por regras de propriedade chinesa. Outra proposta legislativa, chamada Connected Vehicle Security Act of 2026, inclui uma condição semelhante ligada a participações de 15%.
Esta proposta foi apresentada no Senado e na Câmara dos Representantes e está relacionada com a segurança dos veículos conectados. Um veículo conectado é um automóvel com acesso à internet e capacidade de comunicar sem fios com outros sistemas, veículos ou infraestruturas.
Dependendo das exceções finais, marcas como Volvo, Faraday Future, Lotus e Karma Automotive também poderiam ser afetadas por regras associadas à propriedade chinesa. A Volvo, por exemplo, é maioritariamente detida pela Geely.
Fonte: CNBC
À procura de um Mercedes?
Se está à procura de um Mercedes em Portugal, o Auto.pt reúne várias opções disponíveis no mercado, desde modelos compactos e familiares até SUV, carrinhas, versões AMG, híbridos e elétricos.
Na plataforma, pode comparar preços, quilometragem, motorizações, versões, equipamento e localização de forma simples, encontrando mais facilmente o Mercedes ideal para o seu perfil e orçamento. Seja um Classe A, Classe C, Classe E, GLA, GLC, GLE ou um modelo EQ, o Auto.pt centraliza diferentes oportunidades num só lugar.
Para quem procura conforto, tecnologia, prestígio e qualidade premium, encontrar um Mercedes no Auto.pt torna a pesquisa mais prática, rápida e informada.