Novo selo "Made in Europe" a caminho?
Três dos maiores grupos automóveis europeus querem mudar as regras do futuro selo “fabricado na UE”. Em causa estão incentivos, baterias, produção local e a competitividade da indústria automóvel europeia.
Renault, Stellantis e Volkswagen defendem selo europeu mais simples
A Renault, a Stellantis e a Volkswagen pediram à União Europeia que simplifique o futuro selo “fabricado na UE” para automóveis. O objetivo dos três fabricantes é que a nova classificação tenha uma definição “simples, fácil de aplicar e de controlar”, favorecendo veículos produzidos na Europa sem criar novas barreiras difíceis de cumprir.
A proposta surge no âmbito do debate europeu sobre medidas para reforçar a indústria automóvel da União Europeia, numa altura em que o setor enfrenta concorrência global, custos de produção elevados e uma transição acelerada para veículos elétricos.
Numa carta enviada ao Parlamento Europeu, os três grupos defendem: “Queremos oferecer automóveis limpos, acessíveis e tecnologicamente de vanguarda à classe média europeia. E queremos garantir que a Europa continue a ser a potência mundial da indústria automóvel”.
O que é o selo “fabricado na UE”?
O selo “fabricado na UE” pretende distinguir automóveis com produção relevante dentro da União Europeia. A ideia passa por criar benefícios ou incentivos para fabricantes que mantenham uma parte significativa da produção industrial no espaço europeu.
Esta proposta tem um caráter protecionista, ou seja, procura proteger e incentivar a produção europeia face à concorrência de outros mercados. No entanto, os fabricantes defendem que o objetivo não deve ser fechar o mercado, mas reforçar a base industrial do continente.
Na carta, Renault, Stellantis e Volkswagen escrevem que “a Europa não se está a fechar. A Europa apenas travou a tendência de continuar a externalizar a produção industrial para países terceiros”.
A expressão países terceiros refere-se a países que não pertencem à União Europeia. No contexto automóvel, isto pode incluir mercados onde os custos de produção são mais baixos ou onde se concentram cadeias de fornecimento estratégicas, como baterias e componentes elétricos.
Fabricantes querem regras mais realistas
Embora apoiem a criação do selo, os três fabricantes alertam que a medida deve ser “realista” para as empresas. Segundo defendem, o selo não deve transformar-se numa “restrição adicional imposta aos fabricantes europeus de automóveis”, mas sim numa “verdadeira ferramenta para impulsionar a produção da UE”.
Uma das principais alterações propostas passa pela redução do limiar exigido para aceder aos benefícios associados ao selo. A proposta inicial aponta para 85% da frota, mas Renault, Stellantis e Volkswagen querem baixar esse valor para 70%.
Na prática, se 70% da frota de um fabricante cumprir os requisitos num determinado ano, a totalidade dessa frota poderia beneficiar, no ano seguinte, dos incentivos previstos.
Esta regra teria ainda uma delimitação geográfica. Os 70% deveriam estar ligados aos 27 países da União Europeia e aos países do Espaço Económico Europeu, que inclui Islândia, Liechtenstein e Noruega. Os restantes 30% ficariam abertos a parceiros industriais externos.
Conteúdo europeu não deve depender só dos componentes
Outro ponto defendido pelos fabricantes é a forma como será calculado o conteúdo europeu de um veículo. Renault, Stellantis e Volkswagen não querem que o cálculo dependa apenas da origem dos componentes.
Em vez disso, pedem que seja considerado o valor acrescentado gerado pelo automóvel no seu conjunto. Valor acrescentado refere-se à riqueza criada ao longo do processo produtivo, incluindo engenharia, desenvolvimento, transformação industrial, montagem, tecnologia e trabalho realizado localmente.
Esta diferença é importante porque um veículo pode usar componentes de várias origens, mas gerar uma parte significativa do seu valor final através de processos industriais realizados na Europa.
Os fabricantes também pedem uma definição mais exigente de montagem europeia. Para estes grupos, não deve bastar realizar apenas as operações finais de montagem. O selo deve exigir processos industriais substanciais, como estampagem, soldadura, pintura e montagem final.
Baterias estão no centro da discussão
A bateria é um dos pontos mais sensíveis da proposta. Nos veículos elétricos, é um dos componentes mais caros e estratégicos, além de ser uma área onde a Europa ainda procura reduzir a dependência de fornecedores asiáticos.
Renault, Stellantis e Volkswagen apoiam que as baterias façam parte dos requisitos do selo “fabricado na UE”. No entanto, consideram irrealista exigir células de bateria fabricadas na Europa já em 2028.
Segundo os três fabricantes, “os objetivos propostos pela Comissão são inatingíveis”.
As células são a unidade base de uma bateria elétrica. Várias células são agrupadas em módulos e esses módulos formam o pack de bateria que equipa o veículo. Como a produção de células exige grande investimento industrial, matérias-primas, tecnologia e escala, os fabricantes defendem que a transição deve ser mais gradual.
Por isso, pedem que esta obrigação seja adiada para depois de 2030. Até lá, querem que os fabricantes possam escolher quais os principais componentes da bateria que pretendem fabricar na Europa.
Descubra o seu próximo usado
Se está à procura de carros usados em Portugal, o Auto.pt reúne milhares de anúncios disponíveis num só lugar, com opções para diferentes necessidades, estilos de condução e orçamentos.
Na plataforma, pode comparar preços, quilometragem, ano, motorizações, versões, equipamento e localização de forma simples, encontrando mais facilmente o carro usado ideal para o seu perfil. Seja um citadino económico, um SUV familiar, uma carrinha, um comercial, um híbrido, um elétrico ou um modelo premium, o Auto.pt centraliza diferentes oportunidades no mercado nacional.
Para quem quer comprar um automóvel usado com mais praticidade, variedade e confiança, o Auto.pt é um ponto de partida essencial para pesquisar, comparar e encontrar a opção certa.