Chery quer ser “Toyota mais Tesla” na Europa
A Chery está a acelerar a sua expansão global e olha para duas referências muito diferentes da indústria automóvel. A marca chinesa quer combinar qualidade, tecnologia e produção local para ganhar espaço na Europa.
Chery aponta a Toyota e Tesla como inspiração
A Chery, atualmente o maior exportador automóvel da China, está a desenvolver uma estratégia internacional inspirada em duas marcas com posicionamentos distintos: Toyota e Tesla.
O presidente da empresa, Yin Tongyue, descreveu esta visão como uma estratégia “duplo T”. Segundo o responsável, a ambição da Chery é ser “Toyota mais Tesla”, combinando a reputação de qualidade associada à marca japonesa com a inovação tecnológica que tornou a Tesla uma referência no setor elétrico.
Na prática, a Chery pretende produzir automóveis capazes de conquistar clientes a longo prazo pela fiabilidade, mas também atrair compradores mais jovens através de tecnologia avançada, eletrificação e soluções digitais.
Produção em Espanha pode ganhar força
A expansão europeia da Chery poderá passar por um reforço da produção em Barcelona, Espanha, onde a marca já tem uma parceria local para fabricar veículos da marca Ebro numa antiga fábrica da Nissan.
Yin Tongyue afirmou que a operação espanhola está a correr bem e revelou que a empresa pretende “aumentar esta capacidade em Barcelona”. A unidade poderá também servir para exportar automóveis para outros mercados.
Esta aposta na produção local surge num momento em que vários fabricantes chineses procuram reduzir a dependência das exportações diretas a partir da China. Produzir na Europa pode permitir maior proximidade aos clientes, menor exposição a tarifas e melhor adaptação às exigências regionais.
Parcerias com fabricantes europeus em análise
Além de Barcelona, a Chery está à procura de novas oportunidades para partilhar instalações industriais com fabricantes europeus. O objetivo passa por produzir mais nos mercados locais, em vez de depender do transporte de grandes volumes de veículos entre países.
A partilha de fábricas pode ser uma forma de reduzir custos e acelerar a entrada em novos mercados. Este modelo ganha relevância num contexto em que algumas unidades industriais europeias enfrentam capacidade excedentária, ao mesmo tempo que marcas chinesas procuram presença produtiva no continente.
Omoda e Jaecoo impulsionam crescimento
A Chery tem registado uma forte expansão global nos últimos anos. As suas vendas quase quadruplicaram entre 2020 e 2025, com 2,8 milhões de automóveis vendidos no último ano, um crescimento de quase 8% face ao período anterior.
Apesar deste avanço, a marca ainda está atrás da BYD, que vendeu 4,6 milhões de veículos em 2025 e se tornou a quinta maior fabricante automóvel do mundo em volume.
Parte importante da estratégia internacional da Chery passa pelas marcas Omoda e Jaecoo, lançadas em 2023. Em conjunto, venderam 380 mil unidades no último ano, e a meta anunciada é atingir um milhão de veículos em 2027.
O Jaecoo 7 tem sido um dos modelos de maior destaque, tendo chegado a liderar as vendas no Reino Unido em março, um resultado relevante para uma marca ainda recente em vários mercados europeus.
SUV dominam vendas, mas gama vai crescer
A Chery continua fortemente dependente dos SUV. Dos 2,8 milhões de veículos vendidos globalmente no último ano, 2,3 milhões pertenciam a este segmento.
Um SUV, ou Sport Utility Vehicle, é um tipo de automóvel que combina maior altura ao solo, posição de condução elevada e maior versatilidade familiar. É hoje um dos segmentos mais procurados em vários mercados, incluindo a Europa.
Ainda assim, a empresa está a desenvolver modelos mais pequenos para alargar a sua gama. Esta decisão reflete a ambição global da marca, já que os consumidores europeus tendem a valorizar veículos mais compactos do que os compradores chineses, que tradicionalmente preferem automóveis maiores.
Concorrência chinesa está a aumentar
A Chery faz parte de uma nova vaga de fabricantes chineses que estão a transformar o setor automóvel global. Tal como BYD e Geely, a marca aposta em veículos elétricos e eletrificados com tecnologia competitiva e preços difíceis de igualar por construtores tradicionais.
No entanto, o mercado interno chinês está cada vez mais pressionado. Existem mais de 100 marcas automóveis no país, o que tem alimentado uma forte guerra de preços.
Yin Tongyue reconheceu esse cenário e afirmou que, dentro de poucos anos, “talvez apenas muito poucas consigam sobreviver e estar saudáveis”. Para o responsável, uma consolidação do setor parece estar próxima.
Fonte: Reuters
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