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Falta de chips travou produção automóvel em 2025

Falta de chips travou produção automóvel em 2025

A indústria automóvel portuguesa enfrentou em 2025 um dos maiores bloqueios das últimas décadas. A escassez de componentes, em especial chips, tornou-se o principal obstáculo à produção de veículos - algo sem precedentes nos últimos 40 anos.

80% das empresas afetadas

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), no último trimestre de 2025, 80,8% das empresas do setor identificaram obstáculos à atividade no fabrico de automóveis.

A insuficiência de materiais e/ou equipamentos foi apontada como o problema mais recorrente, com 88% das respostas, um valor que se repetiu nos dois trimestres anteriores.

Os números fazem parte do Inquérito qualitativo de conjuntura à indústria transformadora, realizado pelo INE desde a década de 80. E a conclusão é clara: nunca nas últimas quatro décadas o setor registou constrangimentos desta magnitude.

Embora tenham existido dificuldades pontuais nos anos 90, os níveis atuais superam largamente qualquer registo anterior.

De crise de procura a crise de componentes

Historicamente, o maior problema da indústria automóvel em Portugal foi a insuficiência da procura, sobretudo durante a crise financeira global de 2008 e na crise do euro.

Já as dificuldades em contratar pessoal qualificado, problemas de tesouraria ou acesso ao crédito bancário nunca foram obstáculos estruturais significativos.

Em 2025, o cenário mudou radicalmente. O problema deixou de estar do lado do consumidor e passou a estar na cadeia de abastecimento.

Chips no centro da tempestade

A escassez de semicondutores, conhecidos como chips, esteve no centro da crise.

Os chips são componentes eletrónicos essenciais que controlam sistemas como gestão do motor, infotainment, assistência à condução e baterias nos veículos elétricos. Sem eles, a produção simplesmente não avança.

A crise atingiu um dos seus picos em setembro do ano passado, quando o governo dos Países Baixos assumiu o controlo de uma fábrica chinesa em território neerlandês, alegando riscos para a segurança nacional e europeia. A empresa Wingtech tenta recuperar o controlo, mas o impasse mantém-se, criando incerteza no fornecimento global.

A Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA) já tinha alertado que “basta duas ou três empresas pararem por falta de componentes, para toda a cadeia ser afetada”.

Tempestades agravam cadeia logística

Além dos chips, fenómenos climáticos extremos também contribuíram para agravar o problema.

As tempestades que atingiram a zona Centro provocaram disrupções no fornecimento por parte de empresas da região de Leiria. Grandes “players” como a Volkswagen Autoeuropa, a Stellantis e a Bosch demonstraram preocupação com possíveis falhas na cadeia de abastecimento.

Thomas Hegel Gunther, então diretor-geral da fábrica da Autoeuropa em Palmela, reconheceu que as tempestades provocaram interrupções em Marrocos, afetando a logística de componentes para o T-Roc, o único modelo produzido na unidade no ano passado.

O impacto foi visível: a Associação Automóvel de Portugal indicou uma quebra próxima de 8% na produção em janeiro, face ao mesmo mês do ano anterior.

Uma indústria sob pressão estrutural

O setor automóvel europeu atravessa um período de turbulência marcado por:

  • crescente concorrência da China
  • transição para modelos mais sustentáveis
  • aumento dos custos laborais
  • instabilidade no fornecimento de componentes

Embora a fábrica de Palmela não antecipe comprometer os objetivos de produção para este ano, existem alertas quanto à maior frequência de fenómenos climáticos extremos no futuro.


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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