O novo e polémico Ferrari Luce 100% Elétrico
O primeiro Ferrari elétrica já foi revelada e chega com números difíceis de ignorar. Chama-se Luce, tem cinco lugares, quatro motores elétricos e um preço acima da Purosangue.
Ferrari Luce marca nova era em Maranello
O Ferrari Luce é o primeiro modelo 100% elétrico da marca italiana e passa a integrar a gama regular de Maranello. Não se trata de uma série limitada nem de um projeto especial, mas sim de um novo modelo de produção, posicionado ao lado das restantes propostas da Ferrari.
O modelo chega com uma plataforma totalmente inédita, quatro motores elétricos, até 1.050 cv de potência e preços a partir de 550 mil euros. Este valor fica cerca de 40% acima do preço da Ferrari Purosangue, tornando a Luce uma das propostas mais caras da gama atual.
Com cinco lugares e uma abordagem técnica completamente nova, a Luce representa uma mudança importante para uma marca historicamente associada a motores V8 e V12 de combustão.
Design criado com influência do Iphone
O desenho da Ferrari Luce resulta da colaboração entre o Centro Stile da Ferrari e a LoveFrom, empresa fundada por Jony Ive, conhecido pelo seu trabalho no design do iPhone.
A carroçaria foi desenvolvida com forte foco na eficiência aerodinâmica. Sem a necessidade de acomodar um motor V12 sob o capô, a Ferrari pôde abandonar proporções mais tradicionais e explorar uma silhueta diferente.




@Ferrari
A Luce mede 5,02 metros de comprimento, 2 metros de largura e 1,54 metros de altura, ficando cinco centímetros mais baixa do que a Purosangue. O coeficiente aerodinâmico é de apenas 0,254, valor alcançado sem recorrer a aerodinâmica ativa.
O coeficiente aerodinâmico mede a resistência que o ar oferece ao avanço do automóvel. Quanto mais baixo for este valor, maior tende a ser a eficiência em velocidade, com impacto na autonomia e no desempenho.
Um Ferrari elétrica com cinco lugares
Uma das maiores novidades está no habitáculo. A Ferrari Luce tem cinco lugares, algo pouco comum numa proposta da marca com este nível de desempenho.
A ausência de túnel central de transmissão permitiu criar espaço para um quinto ocupante no banco traseiro. O modelo também apresenta a maior bagageira alguma vez vista num Ferrari, com 597 litros de capacidade.



@Ferrari
No interior, a marca optou por uma abordagem tecnológica, mas sem excesso de ecrãs. O passageiro dianteiro não tem um ecrã dedicado, podendo apenas orientar a tela central na sua direção.
A influência do design industrial surge nos materiais, nas interfaces gráficas, nas animações dos ecrãs e no tratamento de componentes como alumínio e vidro.
Quatro motores elétricos feitos em Maranello
O Ferrari Luce utiliza um motor elétrico por roda. Todos foram desenvolvidos e produzidos em Maranello, mantendo uma lógica tradicional da marca: controlar internamente os principais elementos do grupo motopropulsor.
Os motores são síncronos de ímanes permanentes com fluxo radial, tecnologia derivada dos conhecimentos usados pela Ferrari na F80, na Fórmula 1 e no WEC, o Campeonato Mundial de Resistência.
Os motores traseiros entregam 310 kW cada, enquanto os dianteiros fornecem 105 kW. Os motores dianteiros podem atingir 30.000 rpm e os traseiros chegam às 25.500 rpm.
Potência varia consoante o modo de condução
A potência máxima da Ferrari Luce não está sempre disponível. O sistema e-Manettino gere a entrega de potência, a tração e a resposta do veículo consoante o modo escolhido.
No modo Range, pensado para viagens mais longas, a potência fica limitada a 320 kW, com tração traseira e velocidade máxima de 260 km/h. No modo Tour, orientado para utilização diária, a potência sobe para 460 kW e passa a haver tração integral.
No modo Performance, o Luce entrega 725 kW, o equivalente a 986 cv, com tração integral permanente e velocidade máxima de 310 km/h. Já com Launch Control ativo, o sistema liberta os 1.050 cv totais.
Com esta configuração, o Ferrari Luce acelera dos 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos e dos 0 aos 200 km/h em 6,8 segundos.
Borboletas no volante ganham nova função
Apesar de ser elétrica e não ter caixa de velocidades tradicional, a Ferrari Luce mantém patilhas atrás do volante. No entanto, estas não simulam mudanças convencionais.
A Ferrari chama a solução de Torque Shift Engagement. A patilha direita permite escolher cinco níveis de entrega de binário, enquanto a esquerda controla cinco níveis de travagem regenerativa.
A travagem regenerativa recupera energia durante desacelerações e travagens, enviando-a de volta para a bateria. Na Luce, este sistema é usado também como ferramenta de condução desportiva, permitindo ajustar a resposta do carro na entrada e saída de curva.
Bateria estrutural com arquitetura de 800 volts
A bateria da Ferrari Luce foi projetada e montada em Maranello. O sistema trabalha com arquitetura de 800 volts, tecnologia que permite carregamentos mais rápidos e melhor eficiência elétrica, desde que exista infraestrutura compatível.
O conjunto integra 15 módulos desenvolvidos em colaboração com a sul-coreana SK On. A bateria faz parte da estrutura do automóvel, contribuindo para baixar o centro de gravidade em quase 95 mm face à Purosangue.
Segundo a Ferrari, este posicionamento cria uma sensação dinâmica equivalente à condução de um automóvel 400 kg mais leve. O dado é relevante porque a Luce pesa cerca de 2,2 toneladas.
A autonomia estimada é de 530 km em condições ideais e a potência máxima de carregamento rápido chega aos 350 kW.
Som elétrico sem áudio artificial pré-gravado
A Ferrari também trabalhou a componente sonora da Luce. O sistema não usa um ruído artificial pré-gravado. Em vez disso, um acelerómetro capta as vibrações do conjunto elétrico e do subchassis traseiro.
Depois, um algoritmo filtra as frequências menos agradáveis e reproduz apenas os componentes acústicos selecionados, tanto no interior como no exterior do automóvel.
O sistema está disponível apenas em determinados modos de condução e pode ser desligado pelo condutor. Desta forma, a Ferrari tenta criar uma identidade sonora própria para o seu primeiro elétrico, sem imitar diretamente um motor de combustão.
Preço começa nos 550 mil euros
O preço de entrada do Ferrari Luce é de 550 mil euros, sem incluir personalizações. Como é habitual na marca, os clientes poderão escolher cores, materiais e acabamentos específicos, o que poderá elevar significativamente o valor final.
Este posicionamento coloca a Luce acima da Purosangue e reforça a aposta da Ferrari num elétrico de luxo, desempenho elevado e elevada personalização.
Fonte: Ferrari
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