Tesla em piloto automático entra em casa e mata mulher
Um Tesla Model 3 embateu contra uma residência no Texas e provocou a morte de uma mulher que estava dentro de casa. O caso está sob investigação e volta a colocar os sistemas de condução assistida no centro do debate.
Tesla Model 3 embate contra casa no Texas
Um Tesla Model 3, alegadamente com um sistema de condução automatizada ativo, embateu contra uma casa em Katy, no Texas, Estados Unidos, provocando a morte de uma mulher que se encontrava no interior da habitação.
O acidente aconteceu na noite de 19 de junho, por volta das 20h00, hora local. Segundo o gabinete do xerife do condado de Harris, o veículo era conduzido por Michael Butler e circulava com “um sistema de assistência à condução automatizado”.
As autoridades indicam que o condutor terá perdido o controlo do automóvel, saindo da sua faixa de rodagem e, posteriormente, da própria estrada, antes de colidir com a residência.
Mulher foi atingida dentro da habitação
O impacto foi violento. De acordo com as autoridades, “o Tesla de Butler entrou pela residência de tijolo a alta velocidade e bateu contra M. Avila que estava dentro da residência”.
A vítima foi transportada de helicóptero para o hospital mais próximo, mas acabou por não resistir aos ferimentos. A sua idade não foi divulgada.
O condutor também ficou ferido, embora sem gravidade. Segundo a polícia, Michael Butler não estaria embriagado no momento do acidente e está a cooperar com a investigação em curso.
Até ao momento, não foram formalizadas acusações.
O que significa condução assistida automatizada?
A expressão “sistema de assistência à condução automatizado” refere-se a tecnologias capazes de ajudar o condutor em determinadas tarefas, como manter o veículo na faixa, adaptar a velocidade ao trânsito ou auxiliar em manobras específicas.
No caso da Tesla, os sistemas mais conhecidos são o Autopilot e o Full Self-Driving, ou FSD. Apesar dos nomes usados comercialmente, estes sistemas não eliminam a responsabilidade do condutor.
O Autopilot é uma tecnologia de assistência à condução. Já o FSD, sigla de Full Self-Driving, é apresentado pela Tesla como um sistema mais avançado, mas continua a exigir supervisão humana nas versões atualmente disponíveis. Isto significa que o condutor deve manter-se atento, acompanhar a condução e estar preparado para intervir a qualquer momento.
Esta distinção é essencial, porque um sistema de assistência não transforma automaticamente o veículo num automóvel totalmente autónomo.
Investigação vai apurar responsabilidade
O caso continua sob investigação e ainda não há conclusões oficiais sobre a causa exata do acidente. Entre os pontos que deverão ser analisados estão a velocidade do veículo, o estado do sistema de assistência, a atuação do condutor e as condições em que o Tesla saiu da estrada.
Em acidentes que envolvem sistemas de condução assistida, as autoridades podem recorrer a dados armazenados pelo próprio automóvel. Muitos veículos modernos registam informações sobre velocidade, travagem, utilização dos comandos, sensores e estado dos sistemas eletrónicos.
Estes dados podem ser determinantes para perceber se o sistema estava ativo, se emitiu alertas ao condutor e se houve tentativa de intervenção antes do impacto.
Tesla já esteve envolvida noutros casos
Este não é o primeiro incidente grave envolvendo automóveis Tesla com sistemas de assistência à condução. Em 2019, um Tesla Model S embateu contra um Chevrolet Tahoe estacionado na via pública, provocando a morte dos seus ocupantes.
O julgamento desse caso terminou em agosto do ano passado e considerou a Tesla responsável pelo acidente. A empresa foi condenada a pagar uma indemnização de 210 milhões de euros às famílias das vítimas.
Estes casos têm aumentado o escrutínio sobre a forma como os sistemas de condução assistida são apresentados, utilizados e fiscalizados. A discussão centra-se não apenas na tecnologia, mas também na comunicação ao consumidor e na responsabilidade de quem está ao volante.
Dados do FSD também levantaram dúvidas na Europa
A polémica em torno da condução automatizada da Tesla não se limita aos Estados Unidos. Recentemente, surgiram dados que sugerem que a empresa poderá ter apresentado informações distorcidas às entidades europeias para tentar obter a aprovação do sistema FSD.
Este ano, Ivan Komusanac, gestor de políticas da Tesla, terá fornecido ao regulador sueco estimativas segundo as quais o FSD poderia ter salvo 32 mil vidas e evitado 1,9 milhões de ferimentos.
Também terá sido indicado que os veículos equipados com este sistema poderiam percorrer, entre acidentes, uma distância pelo menos sete vezes superior à registada por condutores humanos nos Estados Unidos.
No entanto, investigadores independentes consideraram que estes dados “são altamente enganadores”. A crítica prende-se com a metodologia usada, que assenta num cenário em que todos os veículos de diferentes categorias nas estradas norte-americanas seriam substituídos por Tesla com FSD.
Segundo essa leitura, a comparação assume também que todos os Tesla seriam, no mínimo, sete vezes mais seguros do que os veículos que substituiriam. Para os críticos, esta abordagem pode criar uma perceção demasiado favorável sobre a segurança real do sistema.
Fonte: ABC News
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