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Agência Internacional pressiona Portugal a apoiar elétricos usados

Agência Internacional pressiona Portugal a apoiar elétricos usados

Portugal tem uma das redes elétricas mais limpas entre os países da Agência Internacional de Energia. Mas há um setor que continua a travar a transição: os transportes.

Estudo defende apoios para elétricos usados

A Agência Internacional de Energia, conhecida pela sigla IEA, recomenda que Portugal crie incentivos para a compra de veículos elétricos usados, especialmente destinados a agregados familiares de baixos rendimentos.

A proposta surge num estudo recente sobre a transição energética nacional, onde a agência reconhece os progressos de Portugal na produção de eletricidade renovável, mas alerta para o atraso no setor dos transportes.

Segundo a IEA, a política nacional para veículos elétricos deve passar a refletir melhor a realidade económica do país. Como refere o relatório, “daqui para a frente, a política de elétricos nacional precisa de refletir melhor o poder de compra limitado e a estrutura do mercado automóvel português”.

Transportes continuam a pesar nas emissões

Apesar da evolução positiva da eletricidade renovável, os transportes continuam a ser a principal fonte de emissões de gases com efeito de estufa ligadas à energia em Portugal.

Em 2024, este setor representava 54% das emissões do setor energético, enquanto o petróleo assegurava cerca de 92% do consumo final de energia nos transportes.

Parque automóvel envelhecido trava mudança

A IEA aponta o envelhecimento do parque automóvel português como um dos principais obstáculos à redução de emissões. Segundo dados da ACAP, circulam atualmente em Portugal cerca de 1,6 milhões de automóveis com mais de 20 anos.

O problema é agravado pela forte dependência do mercado de usados. De acordo com o estudo, os automóveis usados representam cerca de 80% das vendas em Portugal, o que torna mais lenta a renovação do parque automóvel.

A agência considera que o “poder de compra limitado” dos portugueses ajuda a explicar esta preferência por veículos usados, resultando numa taxa de substituição baixa e num parque automóvel “envelhecido e ineficiente”.

Elétricos crescem, mas ainda são poucos

As vendas de veículos elétricos têm crescido em Portugal. Em 2025, aumentaram 38%, segundo os dados referidos no estudo.

Ainda assim, a presença dos elétricos no total do parque automóvel continua reduzida, representando cerca de 6%. Isto significa que, apesar do crescimento nas vendas, a transformação real da frota nacional ainda está numa fase inicial.

Para a IEA, apoiar apenas carros elétricos novos pode não ser suficiente num país onde a maioria dos compradores recorre ao mercado de usados.

Apoio atual só abrange veículos novos

Atualmente, Portugal já tem incentivos à compra de veículos elétricos, mas estes aplicam-se apenas a automóveis novos. O apoio ronda os 4000 euros e está limitado a veículos até 38.500 euros, exigindo ainda a entrega para abate de um carro a combustão com mais de 10 anos.

Segundo a IEA, este modelo ajudou a impulsionar as vendas, mas tem alcance limitado. O orçamento anual, estimado entre 10 e 12 milhões de euros, apenas cobre cerca de 1% das vendas anuais de veículos e costuma esgotar em poucas semanas.

A agência recomenda, por isso, que Portugal avance com um subsídio específico para elétricos usados, direcionado a quem mais precisa de apoio financeiro.

Profissionais e PME entre os grupos prioritários

A IEA defende que os apoios devem beneficiar sobretudo condutores profissionais e pequenas e médias empresas. A razão apontada é simples: estes utilizadores tendem a percorrer mais quilómetros, pelo que a substituição por veículos elétricos pode gerar maior redução de emissões.

Ao mesmo tempo, a agência considera que os recursos públicos devem ser usados de forma direcionada, chegando aos grupos com menor capacidade financeira e maior potencial de impacto ambiental.

Esta abordagem permitiria renovar mais rapidamente parte do parque automóvel e tornar a mobilidade elétrica mais acessível a quem não consegue comprar um veículo novo.

Carregamento e transportes públicos também são prioridade

O relatório não se limita a defender apoios aos elétricos usados. A IEA recomenda também acelerar a expansão das infraestruturas de carregamento, reforçar os transportes públicos e apostar mais no transporte ferroviário.

A agência considera que a mudança para outros modos de transporte deve continuar a ser uma prioridade. Cidades e regiões devem garantir melhores condições para andar a pé, usar bicicleta, aceder a transportes públicos e beneficiar de ligações ferroviárias eficientes.

Além disso, a IEA defende que o Governo adote uma regra obrigatória para que todos os novos veículos governamentais sejam elétricos sempre que tecnicamente viável, criando também um calendário claro para converter toda a frota pública.

Portugal tem boa base energética

Apesar das críticas ao setor dos transportes, o estudo reconhece os progressos de Portugal na eletricidade renovável. O país tem uma das redes elétricas com menor intensidade carbónica entre os membros da IEA, impulsionada pelo crescimento da energia solar, eólica e hídrica.

A energia eólica representou 30,3% e a hídrica 18%, ajudando a reduzir a dependência energética externa e a reforçar a segurança do sistema elétrico nacional.

Mary Burce Warlick, diretora-executiva adjunta da IEA, afirmou em Lisboa que “à medida que as reduções de emissões dependem cada vez mais da eletrificação em toda a economia, a eletricidade torna-se central tanto para a segurança energética como para o desenvolvimento económico”.

A responsável acrescentou que será essencial garantir que redes, mercados e investimento acompanham a eletrificação, para manter a acessibilidade.

Fonte: IEA


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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