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Euro 7 ameaça travões: indústria já reage

Euro 7 ameaça travões: indústria já reage

A futura norma Euro 7 vai mudar mais do que os gases de escape. Pela primeira vez, as partículas libertadas pelos travões entram no centro da regulação europeia, obrigando fabricantes e fornecedores a procurar novas soluções técnicas.

Euro 7 vai controlar partículas dos travões

Durante décadas, as normas europeias de emissões focaram-se sobretudo nos gases libertados pelo escape. Com a Euro 7, o controlo ambiental passa também a abranger as partículas geradas pelo desgaste dos travões e dos pneus.

A nova regulamentação introduz limites específicos para partículas PM10 emitidas pelos travões. O termo PM10 refere-se a partículas microscópicas com diâmetro até 10 micrómetros, capazes de permanecer no ar e afetar a qualidade do ambiente urbano.

De acordo com o Parlamento Europeu, os limites acordados para partículas dos travões são de 3 mg/km para veículos 100% elétricos, 7 mg/km para a maioria dos veículos a combustão, híbridos e a célula de combustível, e 11 mg/km para furgões maiores com motor de combustão. A aplicação da Euro 7 para novos tipos de veículos M1 e N1 está prevista a partir de 29 de novembro de 2026, passando a aplicar-se a todos os novos veículos destas categorias a partir de 29 de novembro de 2027.

Travões de ferro fundido enfrentam novo desafio

Os sistemas de travagem tradicionais utilizam, na maioria dos casos, discos em ferro fundido e pastilhas de atrito orgânicas. Esta combinação é eficaz, relativamente barata e amplamente utilizada, mas gera desgaste por abrasão.

A abrasão acontece quando duas superfícies entram em contacto e se desgastam por fricção. No caso dos travões, o atrito entre o disco e a pastilha é essencial para reduzir a velocidade do veículo, mas também liberta partículas para o ar.

Com os novos limites da Euro 7, cumprir os valores exigidos poderá tornar-se difícil para muitos sistemas convencionais sem mudanças relevantes nos materiais e processos de fabrico.

Alemanha testa disco em aço inoxidável

Na Alemanha, um consórcio liderado pelo Fraunhofer IWU, pela Universidade Técnica de Chemnitz, pela ElringKlinger AG e pela ANDRITZ AWEBA GmbH está a desenvolver uma alternativa ao ferro fundido no âmbito do projeto “Ufo-Brems”.

A solução passa por um disco de travão em aço inoxidável nitrurado, produzido através de deformação plástica, em vez do processo tradicional de fundição. A nitruração é um tratamento térmico que introduz azoto na superfície do metal para aumentar a dureza, a resistência ao desgaste e a durabilidade.

Segundo os responsáveis do projeto, esta abordagem permite melhorar o comportamento térmico, a resistência ao desgaste e o desempenho tribológico do disco. O termo tribológico está relacionado com o estudo do atrito, desgaste e lubrificação entre superfícies em contacto.

Menos desgaste e maior durabilidade

Os testes realizados na Universidade de Chemnitz indicam que o novo disco, combinado com uma pastilha de atrito inorgânico, conseguiu reduzir o desgaste em mais de 85% face a sistemas tradicionais com disco de ferro fundido e pastilha orgânica.

A durabilidade prevista pode atingir até 300 mil quilómetros. Se estes valores forem confirmados em utilização real, os discos poderão aproximar-se da vida útil total de muitos automóveis modernos, reduzindo de forma significativa a necessidade de substituição.

Esta evolução poderia transformar uma das operações de manutenção mais frequentes num elemento muito menos presente ao longo da vida do veículo.

Peso também pode baixar

Além da redução de partículas, os engenheiros conseguiram diminuir o peso total do sistema em cerca de cinco quilogramas por automóvel.

Apesar de parecer uma diferença pequena, esta redução pode ter impacto positivo nas chamadas massas não suspensas. Este termo refere-se aos componentes que não são suportados diretamente pela suspensão, como rodas, pneus, travões e parte dos eixos.

Reduzir estas massas pode melhorar o comportamento da suspensão, o conforto, a estabilidade e, ainda que de forma limitada, a eficiência energética do veículo.

Custo inicial pode ser compensado

O aço inoxidável é mais caro do que o ferro fundido, o que pode tornar estes discos mais dispendiosos no momento de produção. No entanto, os promotores do projeto defendem que a análise deve ser feita ao longo de todo o ciclo de vida do automóvel.

Em muitos veículos, os discos convencionais podem exigir substituição antes dos 40 mil quilómetros, sobretudo em condução urbana intensa, utilização desportiva ou ambientes onde o sal acelera a corrosão.

Se um sistema de travagem durar centenas de milhares de quilómetros e exigir menos manutenção, o custo inicial superior poderá ser compensado por menores gastos ao longo dos anos.

Brembo também desenvolve alternativas

A Brembo, uma das principais empresas mundiais na área dos sistemas de travagem, também está a trabalhar em soluções para reduzir partículas.

No transporte público, a marca desenvolveu discos de baixo desgaste e pastilhas sem cobre no âmbito do projeto europeu RE-BREATH, alcançando uma redução de 10% nas emissões de PM10 e um aumento de 50% na durabilidade face a equipamento convencional.

Para automóveis ligeiros, a Brembo aposta no sistema GREENTELL, que utiliza um revestimento duplo sem níquel aplicado através de Laser Metal Deposition. Esta tecnologia consiste em depositar material metálico por laser sobre uma superfície, criando uma camada mais resistente. Segundo a fabricante, esta solução pode reduzir o desgaste até 80% e as emissões de partículas até 90%.

Elétricos premium podem ser os primeiros

Apesar dos resultados promissores, o projeto Ufo-Brems continua em fase avançada de prototipagem. A passagem para produção em série dependerá da capacidade de industrializar a tecnologia a custos competitivos.

Os primeiros modelos a receber este tipo de sistema deverão ser elétricos premium. Este segmento tende a absorver melhor custos adicionais e está sujeito a forte pressão para reduzir emissões, mesmo aquelas que não vêm do escape.

A própria necessidade de regular emissões não relacionadas com o escape tem vindo a ganhar importância, especialmente porque veículos elétricos continuam a gerar partículas através do desgaste de travões, pneus e estrada. A UNECE também adotou um padrão global para medir e limitar emissões de partículas dos travões, reforçando a importância internacional deste tema.


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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