BYD ultrapassa Tesla nas vendas de elétricos na Europa

As vendas de automóveis na União Europeia voltaram a crescer em julho de 2025, impulsionadas pelo forte aumento da procura por modelos eletrificados. Os híbridos continuam a liderar, mas foram os carros 100% elétricos que registaram a maior subida, alcançando 15,6% de quota de mercado.
Neste cenário, deu-se uma viragem histórica: a chinesa BYD ultrapassou a Tesla nas vendas de veículos elétricos na Europa, ao mesmo tempo que a marca norte-americana somou o seu sétimo mês consecutivo de quedas.
Vendas de automóveis na Europa em julho
O mercado automóvel europeu registou um crescimento de 7,4% em julho de 2025, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo os dados da ACEA. No total, foram matriculados mais de 1 milhão de novos veículos, contrariando a ligeira queda acumulada nos primeiros sete meses do ano.
A transformação energética reflete-se nos números: os híbridos continuam a ser a escolha mais popular, com 34,7% das vendas, seguidos pelos automóveis 100% elétricos, que cresceram 39,1% em termos homólogos e já representam 15,6% do mercado. Em contrapartida, os veículos a combustão tradicional (gasolina e gasóleo) caíram quase dez pontos percentuais face a 2024, ficando pelos 37,7%.
Entre os maiores mercados da região, a Alemanha destacou-se com uma subida de 38,4%, enquanto Bélgica (+17,6%) e Países Baixos (+6,5%) também cresceram. Já a França registou queda acumulada de 4,3%, embora tenha recuperado em julho com um aumento mensal de 14,8%.
Tesla em queda: sétimo mês consecutivo negativo
A Tesla atravessa um período de forte retração na Europa. Em julho, a marca norte-americana registou apenas 8.837 novas matrículas, uma quebra de 40% face ao mesmo mês de 2024. Este resultado representa o sétimo mês consecutivo de quedas, reduzindo a quota de mercado da empresa de 1,4% para apenas 0,8%.
As razões apontadas vão além da crescente concorrência. A marca enfrenta críticas pela falta de renovação da sua gama, com modelos envelhecidos em comparação com rivais, e pelo fracasso de lançamentos como o Cybertruck. Além disso, a imagem pública de Elon Musk e a sua ligação política à administração Trump têm contribuído para um enfraquecimento da perceção da Tesla no continente europeu.
A nível global, os sinais de fragilidade já eram evidentes: as receitas da divisão automóvel caíram no segundo trimestre, e Musk admitiu que a empresa pode enfrentar “alguns trimestres difíceis”.
A ascensão da BYD
Enquanto a Tesla perde força, a BYD aproveita para ganhar espaço no mercado europeu. Em julho, a marca chinesa registou 13.503 novas matrículas, um aumento impressionante de 225% face ao mesmo período de 2024. Esse crescimento permitiu-lhe conquistar 1,2% da quota de mercado, superando pela primeira vez a Tesla no continente.
O avanço da BYD deve-se a uma estratégia agressiva de expansão na Europa, com a abertura de novos concessionários e a chegada de modelos a preços competitivos. De acordo com a JATO Dynamics, as marcas chinesas já representam mais de 5% do mercado europeu de automóveis, o valor mais elevado de sempre, consolidando-se como uma ameaça crescente para os fabricantes tradicionais.
O panorama entre os fabricantes
Os dados da ACEA revelam também mudanças no equilíbrio entre os grandes grupos automóveis na Europa. O Volkswagen Group mantém-se como líder destacado, com 262.069 veículos matriculados em julho, um crescimento de 13,7% que lhe garante 28,7% da quota de mercado.
O Grupo Renault também registou evolução positiva, com 96.943 unidades (+9,4%), assegurando 10,6% do mercado, enquanto a BMW Group cresceu 14,3%, totalizando 67.957 veículos e uma quota de 7,4%.
Em contrapartida, a Stellantis recuou ligeiramente, com 135.992 veículos matriculados (-0,9%), o que representa 14,9% de quota. Outras marcas, como Hyundai e Toyota, também reportaram descidas nas vendas.
As metas energéticas da UE para 2035
O crescimento das vendas de elétricos na Europa ocorre em paralelo com uma pressão crescente sobre os fabricantes. O CEO da ACEA, associação que representa os construtores automóveis europeus, alertou recentemente que as metas definidas pela União Europeia para reduzir 100% das emissões de CO₂ até 2035 estão a tornar-se cada vez menos viáveis.
A transição energética avança a ritmo acelerado, mas levanta sérios desafios: exige elevados investimentos em tecnologia, infraestruturas de carregamento e adaptação das fábricas. Ao mesmo tempo, os grupos europeus enfrentam a concorrência agressiva das marcas chinesas, como a BYD, que chegam ao continente com preços competitivos e forte capacidade de produção.
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