Camiões não passam mais na VCI a partir de hoje
A circulação de milhares de pesados muda a partir desta segunda-feira. A nova restrição na VCI pretende reduzir o congestionamento no Porto, mas inclui exceções e já está a gerar críticas no setor dos transportes.
Camiões deixam de poder circular na VCI durante o dia
A partir de 15 de setembro, os veículos pesados de mercadorias abrangidos pela nova regra deixam de poder circular na Via de Cintura Interna (VCI) entre as 7h00 e as 21h00 dos dias úteis.
A medida pretende retirar tráfego pesado de uma das vias mais congestionadas do país e encaminhar estes veículos para a Circular Regional Exterior do Porto, a CREP/A41.
A Infraestruturas de Portugal estima que a restrição possa retirar mais de 4.000 pesados da VCI e reduzir em cerca de 60% o tráfego deste tipo de veículos naquela via.
A VCI é um dos principais eixos rodoviários das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. Já a CREP/A41 funciona como uma circular exterior à zona urbana e passa a assumir um papel importante como alternativa para o tráfego pesado de atravessamento.

Que camiões ficam abrangidos?
A restrição não se aplica a todos os veículos pesados. Estão abrangidos os veículos pesados de mercadorias que cumpram simultaneamente os critérios definidos para a medida.
| Regra | Informação |
|---|---|
| Início da restrição | 15 de setembro |
| Horário | 7h00 às 21h00 |
| Dias abrangidos | Dias úteis |
| Peso bruto | Superior a 3.500 kg |
| Número de eixos | Três ou mais |
| Altura | Igual ou superior a 1,1 m na vertical do primeiro eixo |
| Alternativa principal | CREP/A41 |
| Redução estimada de pesados na VCI | Cerca de 60% |
| Pesados que podem sair da VCI | Mais de 4.000 |
Há exceções para cargas e descargas
Os pesados com origem ou destino no Porto ou em Vila Nova de Gaia para operações de carga e descarga podem continuar a circular na VCI durante o horário condicionado.
No entanto, as empresas têm de obter previamente autorização através da plataforma criada para gerir estas exceções. O sistema permite registar a matrícula do veículo, a carga transportada, a origem e o destino da operação.
Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, explicou como será feita a fiscalização: “Quando for visto um camião em que a matrícula não está registada, está a infringir as regras. Nesse caso, caberá à PSP atuar”.
A autarquia pediu também um reforço da fiscalização para garantir o cumprimento da nova medida.
CREP/A41 passa a ser alternativa sem portagens
Para os pesados que não cumprem os requisitos de exceção, a principal alternativa passa a ser a CREP/A41.
A via ficou isenta de portagens para estes veículos, precisamente com o objetivo de facilitar o desvio do tráfego pesado que anteriormente utilizava a VCI.
A mudança pode, contudo, aumentar significativamente a distância percorrida em determinadas operações.
Transportadoras alertam para desvios superiores a 60 km
A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias, ANTRAM, alertou para situações em que o novo percurso poderá acrescentar mais de 60 quilómetros por operação.
Esta distância adicional pode traduzir-se num aumento do consumo de combustível, dos tempos de viagem e dos custos operacionais das empresas.
O setor critica ainda a burocracia associada ao processo de autorização das exceções e receia possíveis consequências para o abastecimento da região Norte.
A Associação Portuguesa de Logística reconhece igualmente que a mudança deverá representar custos adicionais para transportadoras e empresas.
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