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O que vai mudar nos carros elétricos em 2027?

O que vai mudar nos carros elétricos em 2027?

Carregar um carro elétrico em Portugal prepara-se para entrar numa nova fase. Pagamentos diretos, menos dependência de contratos e preços mais simples estão entre as principais mudanças de um mercado que será totalmente liberalizado no final de 2027.

Grande mudança acontece no final de 2027

O atual modelo português de carregamento elétrico está em transição para um novo regime.

A data decisiva será 31 de dezembro de 2027, quando termina o período transitório previsto após a aprovação do novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica.

A partir daí, o mercado passa a funcionar de forma liberalizada, alterando algumas das regras que durante anos distinguiram Portugal de outros países europeus.

Entre as principais mudanças estão o fim da obrigatoriedade de determinados contratos, a possibilidade de pagar diretamente nos postos e uma maior liberdade para os operadores escolherem como prestam o serviço.

Já não será obrigatório ter contrato para carregar

Uma das alterações mais importantes para o condutor é a possibilidade de utilizar um posto público sem ter previamente um contrato com um comercializador de mobilidade elétrica.

O novo regime estabelece o acesso universal aos postos públicos, permitindo carregamentos com ou sem contrato.

Na prática, um utilizador ocasional poderá chegar a um posto, carregar o automóvel e pagar diretamente sem precisar de aderir previamente a um serviço específico.

Cartão bancário e QR Code ganham importância

Os operadores de postos públicos passam a ter de disponibilizar formas de pagamento amplamente aceites.

Entre as soluções previstas estão os cartões bancários e códigos QR.

Isto aproxima a experiência de carregamento de outras compras quotidianas e procura evitar situações em que o condutor necessita de instalar uma aplicação ou pedir um cartão específico apenas para utilizar determinado carregador.

Ter um contrato continuará a ser possível e poderá continuar a oferecer vantagens comerciais, mas deixa de ser uma condição necessária para utilizar a infraestrutura pública.

Preços deverão ficar mais fáceis de perceber

Outra das mudanças está na forma como o preço é apresentado ao utilizador.

Atualmente, o custo final de um carregamento pode resultar da combinação de diferentes componentes, incluindo energia, utilização do posto e outras tarifas.

Sílvia Amaral, administradora da Mobi.E, antecipa que o novo modelo deverá tornar o preço “muito mais simples” e, consequentemente, mais transparente.

Os operadores terão de informar claramente o preço antes do início do carregamento, seja este calculado por kWh, por minuto ou por sessão.

Operadores podem abandonar a Mobi.E

Durante vários anos, a integração dos operadores na plataforma Mobi.E foi uma das características do sistema português.

Esta estrutura permite que um condutor utilize postos de diferentes operadores através do mesmo contrato ou cartão, sem precisar de estabelecer uma relação individual com cada empresa.

Com o novo regime, os operadores podem optar por permanecer na plataforma ou sair.

No final do período transitório, a própria Mobi.E passará a funcionar num mercado liberalizado e em concorrência com outras soluções.

Portugal pode perder uma das vantagens atuais

A liberdade dada aos operadores traz também um desafio.

Se várias empresas abandonarem a plataforma Mobi.E, parte da atual interoperabilidade poderá perder-se.

Sílvia Amaral apontou Espanha como exemplo de um mercado onde a fragmentação pode obrigar os utilizadores a recorrer a diferentes cartões ou serviços consoante a rede utilizada.

A Mobi.E pretende, por isso, convencer os operadores a permanecerem ligados à plataforma mesmo depois de essa integração deixar de ser obrigatória.

Mobi.E deixa de ter posição obrigatória no sistema

A mudança representa também uma transformação para a própria Mobi.E.

Até à alteração legislativa, a ligação dos operadores à plataforma era obrigatória.

Com a liberalização, a entidade terá de competir através do serviço que oferece aos operadores e aos utilizadores, em vez de beneficiar dessa obrigatoriedade.

O objetivo assumido é preservar as vantagens do atual modelo português, sobretudo a possibilidade de utilizar uma grande rede de carregadores através de uma estrutura integrada.

Consumo nos carregadores aumentou 38%

A mudança do modelo acontece numa altura de rápido crescimento da mobilidade elétrica em Portugal.

Segundo os dados apresentados por Sílvia Amaral durante o Auto Talks, a energia consumida nos postos de carregamento aumentou 38% relativamente a 2025.

Este crescimento acompanha o aumento do número de veículos elétricos em circulação e aumenta a pressão para expandir a infraestrutura.

Rede não cresce tão depressa como os carros elétricos

A administradora da Mobi.E reconhece que a instalação de novos postos nem sempre acompanha ao mesmo ritmo o crescimento das vendas de automóveis elétricos.

Os operadores ajustam os investimentos à procura, mas a criação de uma nova estação depende de vários fatores.

É necessário encontrar espaços adequados, garantir capacidade elétrica, obter autorizações e instalar os equipamentos.

Estes processos podem atrasar a expansão da rede mesmo quando existe procura suficiente para justificar novos carregadores.

Empresas estrangeiras estão a entrar em Portugal

A liberalização também poderá aumentar a concorrência.

Novos operadores, incluindo empresas estrangeiras, estão a entrar no mercado português e poderão aumentar a diversidade de redes, preços e modelos comerciais disponíveis.

Esta maior concorrência é precisamente um dos objetivos do novo regime.

O desafio será garantir que o aumento do número de operadores não torne a experiência mais complicada para quem apenas pretende encontrar um posto e carregar o automóvel.

Carregar vai ficar mais barato?

Ainda não é possível garantir.

O novo regime pretende aumentar a concorrência, reduzir intervenientes e tornar a estrutura de preços mais transparente, mas isso não significa automaticamente uma redução generalizada dos preços.

O custo continuará dependente da eletricidade, da potência do posto, da estratégia de cada operador e de eventuais tarifas aplicadas ao serviço.

Para os consumidores, uma das maiores mudanças deverá ser a facilidade de perceber antecipadamente quanto irá custar uma sessão.


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Com a infraestrutura de carregamento a crescer e as regras a tornarem-se mais simples, os automóveis elétricos tornam-se uma opção cada vez mais relevante no mercado de usados.

No Auto.pt pode comparar carros elétricos usados por preço, quilometragem, autonomia, capacidade da bateria e equipamento e encontrar o modelo mais adequado às suas necessidades.

Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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