Elétricos na China duram 5 anos nas mãos dos donos
Os carros elétricos e híbridos estão a ganhar peso na China, mas também parecem passar menos tempo nas mãos dos proprietários. Os dados mostram um ciclo de utilização mais curto do que nos modelos a combustão.
Carros elétricos na China têm idade média muito baixa
Os veículos de novas energias na China apresentam uma idade média bastante inferior à dos automóveis com motor de combustão. Segundo dados associados à Associação de Fabricantes Automóveis da China, conhecida pela sigla CAAM, a idade média dos veículos de passageiros de novas energias era de 1,8 anos em 2025.
A expressão veículos de novas energias, ou NEV, é usada sobretudo no mercado chinês para designar automóveis eletrificados. Neste grupo entram modelos 100% elétricos, híbridos plug-in e outros veículos que recorrem a sistemas de propulsão alternativos aos motores tradicionais a gasolina ou gasóleo.
À primeira vista, uma idade média de apenas 1,8 anos poderia sugerir que os condutores chineses estão a trocar de carro quase de dois em dois anos. No entanto, a leitura dos números exige algum contexto.
Crescimento rápido explica parte dos números
A baixa idade média dos elétricos e híbridos na China está diretamente ligada ao forte crescimento deste mercado nos últimos anos. Em 2025, os veículos de novas energias já representavam mais de 60% das vendas a retalho no país.
Isto significa que uma grande parte da frota atual é muito recente. De acordo com os dados referidos, já existem quase 44 milhões de veículos de novas energias a circular nas estradas chinesas, sendo que a maioria foi registada nos últimos dois anos.
Por isso, a idade média de 1,8 anos não significa necessariamente que todos os proprietários substituam o carro nesse intervalo. Mostra, sobretudo, que o parque automóvel eletrificado chinês cresceu muito depressa e ainda é composto por veículos relativamente novos.
90% dos NEV têm entre um e três anos
Outro dado relevante é que cerca de 90% dos veículos de novas energias na China têm entre um e três anos. Este número reforça a ideia de que o mercado está numa fase de expansão acelerada, com muitos automóveis eletrificados ainda dentro dos primeiros anos de utilização.
Ainda assim, os dados disponíveis apontam para um ciclo de troca mais curto do que nos automóveis tradicionais. Diversos relatórios indicam que muitos proprietários chineses de veículos de novas energias substituem o automóvel ao fim de três a cinco anos.
Além disso, cerca de 90% dos proprietários de NEV trocam de modelo dentro de um período de cinco anos após a compra. Este comportamento mostra uma diferença significativa face ao que acontece com os veículos a combustão.
Carros a combustão ficam mais tempo com os donos
Nos modelos com motor de combustão, o ciclo de substituição é mais longo. De acordo com a Associação de Concessionários da China, a troca de veículos a gasolina ou gasóleo acontece, em média, entre os seis e os oito anos.
A idade média destes automóveis ronda os 8,2 anos, um valor muito acima do registado nos veículos de novas energias. Esta diferença mostra que, embora os elétricos e híbridos estejam a crescer rapidamente, também entram mais cedo no ciclo de substituição.
O motor de combustão continua a beneficiar de uma tecnologia mais estabilizada e conhecida pelos consumidores. Nos elétricos, pelo contrário, a evolução rápida das baterias, da autonomia e do carregamento pode tornar um modelo recente menos atrativo em poucos anos.
Baterias e tecnologia aceleram a troca
Uma das possíveis razões para a substituição mais rápida dos veículos de novas energias está relacionada com as baterias. Muitos consumidores continuam atentos à degradação da bateria ao longo do tempo, mesmo quando as marcas oferecem garantias prolongadas.
A degradação da bateria refere-se à perda gradual de capacidade de armazenamento de energia. Num automóvel elétrico, isso pode traduzir-se numa autonomia inferior à original após vários anos de utilização, dependendo de fatores como tipo de bateria, carregamentos rápidos, temperatura e quilometragem.
Outro fator importante é a velocidade de inovação. Na China, os fabricantes lançam novos modelos, atualizações tecnológicas e melhorias de autonomia a um ritmo muito elevado. Carregamentos mais rápidos, ecrãs maiores, sistemas de assistência à condução mais avançados e interfaces digitais mais modernas podem fazer com que um carro com poucos anos pareça rapidamente ultrapassado.
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