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EUA abrem porta a carros sem volante e pedais

EUA abrem porta a carros sem volante e pedais

A condução autónoma acaba de dar mais um passo decisivo nos Estados Unidos. Depois dos pedais, também o volante pode deixar de ser obrigatório em veículos concebidos para circular sem condutor.

EUA avançam com regras para carros sem volante

A Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos Estados Unidos, conhecida pela sigla NHTSA, está a preparar o enquadramento legal para permitir a circulação de veículos autónomos sem pedais e sem volante.

A NHTSA é a entidade norte-americana responsável pela segurança rodoviária e pela definição de normas técnicas aplicáveis aos veículos vendidos e utilizados nos Estados Unidos. A sua intervenção é especialmente relevante porque, durante décadas, os automóveis foram pensados a partir de uma lógica simples: tinham sempre de poder ser conduzidos por uma pessoa.

Essa realidade está agora a mudar. A entidade norte-americana já tinha anunciado em junho a intenção de retirar a obrigatoriedade dos pedais em veículos concebidos exclusivamente para condução autónoma. Agora, a mesma lógica estende-se também ao volante, desde que o automóvel cumpra as condições de segurança exigidas.

Pedais e volante deixam de ser indispensáveis

A decisão parte de uma ideia central: se um veículo foi desenhado para circular sem condutor, não faz sentido obrigá-lo a ter comandos tradicionais de condução.

Jonathan Morrison, administrador da NHTSA, defendeu essa posição numa entrevista à CNBC, afirmando que “não faz sentido obrigar um veículo concebido para circular sem um condutor a bordo continuar a montar pedais e volante”.

A frase resume a mudança de paradigma. Até agora, mesmo os veículos autónomos tinham de respeitar regras criadas para automóveis convencionais, com volante, pedal de travão e acelerador. Para modelos totalmente autónomos, esses elementos podem tornar-se redundantes.

Ainda assim, a eliminação dos comandos físicos não significa ausência de regras. Os veículos terão de demonstrar que conseguem travar, acelerar, manobrar e circular em segurança sem intervenção humana.

O que são veículos ADS?

A sigla ADS significa Automated Driving System, ou sistema de condução automatizada. Refere-se ao conjunto de sensores, câmaras, radares, software e sistemas eletrónicos capazes de executar a tarefa de condução sem controlo humano direto, em determinadas condições.

Nos veículos mais avançados, o ADS pode controlar direção, aceleração, travagem, mudança de faixa, deteção de obstáculos, leitura do ambiente rodoviário e tomada de decisão em tempo real.

Waymo e Tesla no centro da mudança

A Waymo, empresa de condução autónoma da Google, é um dos exemplos mais relevantes deste setor. A empresa já opera serviços de robotáxi em algumas cidades norte-americanas, em certos casos sem condutor de segurança ao volante.

Um robotáxi é um veículo autónomo usado para transporte de passageiros, semelhante a um táxi ou serviço TVDE, mas sem motorista. A ideia é permitir deslocações pagas com recurso a automóveis que circulam por conta própria.

A Tesla também surge neste debate. A marca já disponibiliza o Full Self-Driving, conhecido pela sigla FSD, em algumas cidades norte-americanas e começou recentemente a expandir a tecnologia para alguns países europeus.

Cybercab pode ser o primeiro grande exemplo

A Tesla pretende avançar com o Cybercab, um robotáxi concebido desde o início sem pedais e sem volante. O modelo foi apresentado como um veículo autónomo dedicado ao transporte de passageiros e não como um automóvel tradicional adaptado à condução sem condutor.

Europa continua mais cautelosa

Enquanto os Estados Unidos começam a adaptar regras para veículos autónomos sem comandos manuais, a Europa mantém uma abordagem mais cautelosa.

A diferença entre os dois lados do Atlântico pode criar ritmos distintos de adoção. Nos Estados Unidos, a NHTSA parece preparar o mercado para modelos sem volante e sem pedais. Na Europa, a discussão ainda está mais centrada na supervisão, segurança, responsabilidade e adaptação progressiva das normas.

Fonte: CNBC


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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