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GM paga 220 milhões por vender dados dos condutores

GM paga 220 milhões por vender dados dos condutores

O seu carro sabe onde anda, a que horas conduz e até quantas vezes trava com força. Nos Estados Unidos, a General Motors é agora obrigada a pagar 220 milhões de dólares depois de ter sido acusada de recolher e vender precisamente este tipo de informação sem o consentimento adequado dos condutores.

General Motors aceita pagar 220 milhões de dólares

A General Motors chegou a um acordo de 220 milhões de dólares para resolver acusações relacionadas com a recolha e comercialização de dados privados de condutores.

O acordo envolve uma coligação de 36 procuradores-gerais norte-americanos, representando vários estados e o Distrito de Columbia.

No centro da investigação está o antigo programa Smart Driver da GM, que recolhia informação sobre a utilização dos automóveis.

Segundo as autoridades, milhões de condutores foram inscritos no serviço entre 2016 e 2024.

A General Motors terminou o Smart Driver em abril de 2024.

Carro registava travagens, acelerações e velocidade

A quantidade de informação recolhida era significativa.

O Smart Driver podia registar quantas viagens eram realizadas, quando cada percurso começava e terminava, a velocidade do veículo e situações em que o condutor travava ou acelerava bruscamente.

Os dados eram associados aos utilizadores e podiam ainda incluir informações sobre localização e quilómetros percorridos.

Dados chegaram às seguradoras

O problema não estava apenas na recolha.

Segundo a investigação, a GM vendeu informação a empresas especializadas em tratamento e comercialização de dados.

Entre as empresas com as quais a fabricante tinha relações encontravam-se a LexisNexis e a Verisk.

Estas empresas podiam depois fornecer a informação a seguradoras.

Na prática, uma companhia de seguros poderia conhecer o comportamento de condução de determinado cliente mesmo sem este ter entregue voluntariamente essa informação à seguradora.

Seguro podia ficar mais caro devido aos dados do carro

As autoridades alegam que as seguradoras utilizaram esta informação para avaliar o risco dos condutores e, em alguns casos, influenciar o valor dos prémios.

Um condutor poderia ser considerado de maior risco devido a comportamentos identificados pelo próprio automóvel, como travagens bruscas ou excesso de velocidade.

Uma investigação anterior do The New York Times revelou casos de proprietários que descobriram relatórios extremamente detalhados sobre meses de utilização do automóvel.

Num dos casos referido pelas autoridades de Nova Iorque, um condutor terá enfrentado um aumento de 22% no seguro, tendo sido informado de que os dados de condução contribuíram para essa subida.

Alguns condutores nem sabiam que estavam inscritos

Este é um dos aspetos mais problemáticos identificados na investigação.

Muitos clientes aderiam ao Smart Driver durante a compra do automóvel num concessionário.

A inscrição era feita juntamente com o OnStar, serviço da GM que disponibiliza funcionalidades como assistência, segurança e serviços conectados.

As autoridades alegam que, em determinados casos, funcionários dos concessionários aceitaram termos e condições em nome dos clientes sem obter o consentimento adequado.

A GM também incentivava os concessionários a aumentar o número de adesões aos serviços conectados.

Entre 2020 e 2024, funcionários podiam receber incentivos relacionados com o número de clientes inscritos.

Aplicação dizia que 370 mil pessoas não estavam inscritas

Outro problema ocorreu na própria aplicação OnStar.

Segundo a investigação, mais de 370 mil condutores receberam indicação de que não estavam inscritos no Smart Driver quando, na realidade, o sistema continuava a recolher e comercializar os seus dados.

A GM acabou por retirar esses utilizadores do programa, mas, segundo as autoridades, os dados que já tinham sido enviados permaneceram com empresas intermediárias e seguradoras.

A falha demonstra também como pode ser difícil para um utilizador saber exatamente que informação está a ser transmitida por um automóvel conectado.

GM terá de pedir consentimento explícito

O acordo não se limita ao pagamento dos 220 milhões de dólares.

A General Motors terá de obter consentimento afirmativo e explícito antes de recolher ou divulgar determinados dados de condução e localização.

A empresa terá ainda de limitar a quantidade de informação recolhida e implementar um programa mais abrangente de proteção de dados.

Fonte: Motor1.com


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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