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Uber corta 3.000 empregos e aposta em robotáxis

Uber corta 3.000 empregos e aposta em robotáxis

A Uber prepara uma das maiores reestruturações dos últimos anos. A empresa vai cortar milhares de postos de trabalho e concentrar recursos nas áreas que considera decisivas para o futuro.

Uber avança com corte global de empregos

A Uber vai cortar mais de 3.000 empregos em todo o mundo, numa reestruturação global que pretende reduzir níveis de gestão, simplificar equipas e redirecionar investimento para o negócio principal.

Os cortes representam cerca de 10% da força de trabalho global da empresa e colocam o número de colaboradores próximo dos níveis registados em 2021. Após esta redução, a Uber deverá ficar com pouco menos de 30.000 trabalhadores.

A empresa, com sede global em São Francisco, nos Estados Unidos, não confirmou quais os países ou regiões mais afetados pelos despedimentos. A medida abrange tanto gestores como trabalhadores sem funções de gestão.

Dara Khosrowshahi quer uma Uber mais simples

Num email enviado aos trabalhadores, o CEO Dara Khosrowshahi explicou que a Uber cresceu rapidamente, mas acabou por acumular demasiados níveis hierárquicos e pequenas equipas que atrasavam a tomada de decisões.

O responsável afirmou que a redução de pessoal deverá colocar a empresa numa posição mais forte para aproveitar as “biggest opportunities ahead of us”.

Khosrowshahi defendeu ainda que as mudanças deverão tornar a Uber mais “simpler” e “faster”, ao mesmo tempo que libertam dinheiro para reinvestir nas áreas consideradas centrais para o futuro da empresa.

Equipas pequenas vão ser integradas em grupos maiores

A Uber pretende juntar muitas das suas equipas mais pequenas em grupos de maior dimensão. O objetivo passa por reduzir complexidade interna e acelerar decisões.

Esta mudança sugere uma empresa mais focada em eficiência operacional, com menos camadas de gestão e estruturas mais diretas.

A reação dos mercados foi positiva. As ações da Uber subiram quase 2% após o anúncio, sinal de que os investidores receberam a reestruturação como uma tentativa de reforçar margens e disciplina financeira.

Investimento em robotáxis e condução autónoma ganha peso

A reestruturação surge numa fase em que a Uber está a intensificar o investimento em parcerias ligadas a veículos autónomos, robotáxis, transporte de passageiros e entregas.

Um robotáxi é um veículo concebido para transportar passageiros sem intervenção direta de um motorista humano. Este tipo de serviço depende de sistemas de condução autónoma, sensores, software e mapas digitais avançados.

Apesar de a Uber ter vendido a sua unidade própria de condução autónoma no passado, a empresa continua a apostar em parcerias com fabricantes e empresas tecnológicas. A estratégia passa por integrar veículos autónomos nas suas plataformas, sem assumir sozinha todo o custo de desenvolvimento.

Trabalho remoto também será reduzido

Além dos cortes, a Uber está a rever a sua política de escritórios. A empresa pretende que quase todos os trabalhadores passem a trabalhar presencialmente em hubs designados.

As funções totalmente remotas deverão ficar limitadas a cerca de 1% dos trabalhadores. Esta decisão mostra uma aposta mais clara no trabalho presencial e em centros de operação definidos.

Poupança anual pode chegar aos 2 mil milhões

Segundo analistas citados no documento, os despedimentos e a reorganização interna poderão gerar poupanças anuais de até 2 mil milhões de dólares.

A Uber tinha evitado grandes cortes de pessoal desde a pandemia, ao contrário de várias tecnológicas que avançaram com despedimentos nos últimos anos, muitas vezes devido a investimentos elevados em inteligência artificial.

No caso da Uber, a mudança parece estar menos ligada a uma crise imediata e mais relacionada com a necessidade de simplificar a estrutura depois de um período de crescimento acelerado.

Fonte: BBC


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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