ACP quer mais carros na Baixa de Lisboa e rejeita só elétricos
A mobilidade na Baixa de Lisboa voltou ao centro do debate. Entre propostas para reduzir o trânsito e críticas do ACP, o futuro da circulação automóvel no centro da capital está novamente em discussão.
ACP rejeita novas restrições na Baixa de Lisboa
O Automóvel Club de Portugal defende uma posição contrária à petição que propõe reduzir fortemente a circulação automóvel na Baixa de Lisboa. Em vez de limitar ainda mais o acesso de carros ao centro da cidade, o presidente do ACP, Carlos Barbosa, considera que algumas vias deveriam voltar a estar abertas ao trânsito particular.
A discussão surgiu no âmbito da petição “Baixa de Lisboa com menos trânsito e melhor qualidade do ar”, debatida numa audição promovida pela Associação de Moradores de Santa Maria Maior. O documento defende medidas para reduzir congestionamentos, melhorar a qualidade do ar e tornar a circulação pedonal mais segura.
Carlos Barbosa mostrou-se contra novas limitações ao trânsito automóvel na freguesia de Santa Maria Maior e defendeu a reabertura da Rua da Prata aos veículos particulares.
Rua da Prata no centro da discussão
A Rua da Prata foi encerrada à circulação automóvel em dezembro de 2022, após o colapso de um coletor subterrâneo. A via reabriu em novembro de 2023, depois das obras, mas passou a estar reservada a elétricos, bicicletas, trotinetas e peões.
Para o presidente do ACP, essa decisão criou dificuldades adicionais na circulação da Baixa. “Nunca percebi porque a fecharam”, afirmou Carlos Barbosa, defendendo que a Rua da Madalena ficou sobrecarregada e sem alternativa eficaz para o tráfego automóvel.
Na visão do ACP, a reabertura da Rua da Prata permitiria aliviar congestionamentos e restabelecer uma ligação importante entre a Praça da Figueira e a frente ribeirinha.
Petição quer menos trânsito e melhor qualidade do ar
Do lado oposto, a petição defende uma Baixa de Lisboa com menos automóveis. Os promotores apontam para problemas como congestionamentos frequentes, atrasos nos transportes públicos e impactos negativos na saúde pública provocados pelo elevado número de veículos a combustão.
Entre as medidas propostas está a criação de uma Zona de Zero Emissões, também conhecida pela sigla ZZE. Este conceito refere-se a uma área urbana onde a circulação de veículos poluentes é limitada ou proibida, permitindo apenas determinados veículos, como elétricos, transportes autorizados, residentes ou serviços de emergência.
A proposta abrangeria zonas como Cais do Sodré, Chiado, Rossio, Praça da Figueira e Rua da Madalena, com exceções previstas para residentes e veículos essenciais.
Elétricos em exclusivo dividem opiniões
O ACP não rejeita todas as medidas apresentadas pelos peticionários. Carlos Barbosa mostrou concordância com propostas como o reforço da segurança rodoviária, a limitação da velocidade a 30 km/h, a prioridade de estacionamento para residentes e o maior controlo sobre tuk-tuk e TVDE.
No entanto, o presidente do ACP considera que restringir a circulação apenas a veículos elétricos seria difícil de aplicar na realidade portuguesa atual. O argumento central é que a percentagem de carros elétricos em circulação ainda é reduzida para sustentar uma medida tão abrangente no centro da capital.
Mobilidade urbana continua em debate
A discussão sobre a Baixa de Lisboa reflete um desafio comum a várias cidades europeias: equilibrar qualidade do ar, segurança rodoviária, transportes públicos, circulação pedonal e acesso automóvel.
Enquanto os defensores de menos trânsito apontam para benefícios ambientais e urbanos, o ACP alerta para o risco de criar estrangulamentos e reduzir a acessibilidade ao centro da cidade.
O futuro da mobilidade na Baixa deverá continuar a depender de decisões municipais, evolução da rede de transportes e capacidade de adaptação dos condutores, residentes e comerciantes.
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