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Renault quer acabar com combustão na Europa até 2030

Renault quer acabar com combustão na Europa até 2030

A Renault prepara uma viragem profunda na sua estratégia para os próximos anos. A marca francesa quer acelerar a eletrificação, lançar novos modelos e reduzir a dependência dos motores de combustão na Europa.

Renault aponta a 2030 para o fim da combustão na Europa

A Renault anunciou a intenção de deixar de vender veículos exclusivamente com motor de combustão na Europa até 2030. A meta faz parte do novo plano estratégico 2026-2030, apresentado pela marca francesa, e marca uma nova fase na sua transição para veículos eletrificados.

A empresa pretende que, até ao final da década, 100% das suas vendas na Europa sejam compostas por veículos eletrificados. Neste objetivo estão incluídos não apenas os modelos 100% elétricos, mas também os híbridos.

Estratégia elétrica foi ajustada

A Renault tinha definido anteriormente, em 2021, o objetivo de vender apenas automóveis totalmente elétricos na Europa até 2030. No entanto, a marca ajustou essa ambição e passou a incluir veículos híbridos na sua estratégia.

A mudança surge num contexto em que as vendas de automóveis totalmente elétricos têm crescido a um ritmo mais lento do que o inicialmente previsto. Além disso, a União Europeia flexibilizou o seu objetivo de eletrificação para 2035, abrindo espaço para soluções híbridas.

Cerca de 40% dos veículos vendidos pela Renault na Europa no ano passado ainda eram movidos exclusivamente por motores de combustão interna, o que mostra a dimensão da transformação que a marca pretende realizar nos próximos anos.

Vendas devem chegar aos dois milhões por ano

No novo plano estratégico, a Renault pretende aumentar as vendas da marca em cerca de 23% até 2030. O objetivo é atingir dois milhões de unidades vendidas por ano, contra cerca de 1,6 milhões atualmente.

A marca quer também reforçar a presença fora da Europa. Até 2030, metade das vendas da Renault deverá ocorrer em mercados internacionais, quando atualmente essa percentagem é de 38%.

Segundo a empresa, “até 2030, a marca pretende atingir 100% de vendas de veículos eletrificados na Europa e 50% fora da Europa”. Esta meta mostra que a eletrificação será central não apenas no mercado europeu, mas também na expansão global da Renault.

Produção e desenvolvimento com foco europeu

A Renault pretende manter uma forte ligação industrial à Europa. François Provost, presidente do Conselho de Administração da Renault, afirmou que a ambição da empresa é “conceber e produzir na Europa produtos de referência em termos de atratividade, tecnologia e competitividade”.

Esta estratégia contrasta com a de outros grupos automóveis que têm revisto ou reduzido investimentos em veículos elétricos. A Renault quer reforçar a sua posição através de novos modelos, plataformas tecnológicas e produção local.

No total, o grupo prevê lançar 22 novos modelos na Europa, dos quais 16 serão automóveis elétricos. Além disso, estão previstos 14 novos modelos para mercados internacionais.

Dacia também acelera eletrificação

A Dacia, marca de baixo custo do grupo Renault, também deverá acelerar a transição elétrica. Até 2030, a marca pretende que dois terços das suas vendas sejam eletrificadas.

Atualmente, a Dacia conta apenas com um modelo elétrico na gama, mas o plano prevê aumentar esse número para quatro veículos elétricos. Esta evolução poderá reforçar a presença da marca num segmento onde o preço continua a ser um fator decisivo para muitos consumidores.

Atualizações remotas e carregamento rápido

A Renault quer também reforçar a componente tecnológica dos seus veículos. Um dos objetivos é permitir que 90% das funções dos automóveis possam ser atualizadas remotamente.

As atualizações remotas, também conhecidas como atualizações “over-the-air”, permitem melhorar software, corrigir problemas ou adicionar funcionalidades sem necessidade de deslocação à oficina.

A marca pretende ainda desenvolver soluções de carregamento ultrarrápido, com tempos que poderão chegar a apenas 10 minutos. Esta melhoria é considerada essencial para tornar os elétricos mais práticos em viagens longas e reduzir uma das principais barreiras à adoção.

Rentabilidade continua sob pressão

Apesar da aposta na eletrificação, a Renault enfrenta desafios financeiros. A marca obtém atualmente menor rentabilidade nos veículos elétricos do que nos modelos com motor de combustão.

A margem operacional caiu de 7,6% em 2024 para 6,3% no ano passado, podendo descer para 5,5% no próximo ano. Ainda assim, a Renault pretende manter a margem operacional entre 5% e 7%.

Fonte: Euronews


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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