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Canadá reage às tarifas dos EUA e muda rumo da indústria automóvel

Canadá reage às tarifas dos EUA e muda rumo da indústria automóvel

A indústria automóvel canadiana enfrenta um dos momentos mais delicados das últimas décadas. Perante tarifas impostas pelos Estados Unidos e milhares de postos de trabalho em risco, o Governo do Canadá decidiu alterar a sua estratégia e apresentar um novo plano para proteger o setor e acelerar a transição elétrica.

Novo plano para reduzir dependência dos Estados Unidos

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, anunciou um conjunto de medidas destinadas a reforçar a indústria automóvel nacional e a diminuir a dependência económica do país em relação aos Estados Unidos. O plano surge num contexto de forte pressão causada pelas tarifas norte-americanas sobre veículos e componentes produzidos no Canadá.

As novas iniciativas incluem incentivos financeiros para fabricantes que invistam no país e o regresso dos apoios à compra de veículos elétricos, numa tentativa de estabilizar a produção e atrair novos projetos industriais.

Tarifas dos EUA abalam produção canadiana

Em 2024, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs tarifas de 25% sobre automóveis e peças canadianas, provocando um choque imediato na indústria. Cerca de 90% dos veículos produzidos no Canadá são exportados para os EUA, o que tornou o impacto particularmente severo.

A forte integração das cadeias de abastecimento entre os dois países agravou a situação, uma vez que muitos fabricantes norte-americanos operam no Canadá ao abrigo de acordos de comércio livre históricos.

USMCA deixa de cumprir o objetivo original

O acordo de comércio USMCA (United States-Mexico-Canada Agreement), que substituiu o antigo NAFTA, será revisto ainda este ano. Segundo Mark Carney, o objetivo inicial do acordo - eliminar tarifas no espaço norte-americano - já não corresponde à atual estratégia da administração norte-americana.

Temos de nos preparar para todos os cenários”, afirmou o primeiro-ministro durante uma visita a uma fábrica automóvel em Toronto, reconhecendo que a abordagem dos Estados Unidos mudou de forma estrutural.

Produção reduzida e milhares de empregos perdidos

Desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, milhares de trabalhadores canadianos do setor automóvel perderam os seus empregos. Fabricantes como a General Motors e a Stellantis reduziram a produção no Canadá, refletindo o impacto direto das tarifas e da incerteza comercial.

Para mitigar os efeitos, o Governo anunciou um novo regime tarifário que concede créditos a fabricantes como a General Motors e a Toyota que produzam veículos em território canadiano, ajudando a compensar os custos adicionais.

Canadá procura novos parceiros internacionais

Paralelamente, o Canadá tem intensificado contactos com outros mercados para diversificar relações comerciais. No mês passado, foi alcançado um acordo com a China para reduzir tarifas sobre veículos elétricos chineses, tarifas essas que tinham sido impostas em alinhamento com os EUA em 2024.

Foi também anunciado um entendimento com a Coreia do Sul, com o objetivo de incentivar a produção automóvel coreana no Canadá, uma estratégia que poderá reduzir ainda mais a dependência do mercado norte-americano.

Incentivos aos elétricos regressam, mas metas mudam

O Governo canadiano confirmou a reintrodução dos incentivos à compra de veículos elétricos, numa decisão que contrasta com a política dos EUA, onde os subsídios federais foram eliminados. Ao mesmo tempo, o Canadá pretende reforçar os padrões de emissões para novos veículos, com o objetivo de que 90% das vendas sejam de elétricos até 2040.

No entanto, Mark Carney decidiu revogar o mandato de vendas de veículos elétricos imposto em 2023 pelo anterior primeiro-ministro, Justin Trudeau, após críticas da indústria, que considerava a medida excessivamente onerosa. Segundo Carney, a nova abordagem “foca-se nos resultados que importam aos canadianos, evitando encargos desnecessários para o setor automóvel”.

Críticas ambientais à nova estratégia

A decisão de abandonar o mandato obrigatório de vendas de elétricos foi criticada por vários grupos ambientalistas, que defendem metas mais rígidas. Ainda assim, o Governo mantém que o reforço das normas de emissões será suficiente para acelerar a transição sem comprometer a competitividade industrial.

Fonte: BBC


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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