Stellantis afunda 25% após admitir erro nos elétricos
Uma das maiores multinacionais do setor automóvel enfrenta um dos momentos mais delicados da sua história recente. A Stellantis reconheceu falhas estratégicas na transição para os veículos elétricos, provocando uma reação imediata e severa nos mercados financeiros.
Ações caem após anúncio de prejuízo bilionário
A Stellantis, grupo que detém marcas como Fiat, Peugeot e Citroën, viu as suas ações caírem cerca de 25% na bolsa de Milão após admitir que espera uma baixa contabilística de 22 mil milhões de euros. A empresa antecipou ainda que deverá registar prejuízo líquido em 2025, levando à suspensão do pagamento de dividendos em 2026.
O anúncio surgiu no âmbito da divulgação antecipada de resultados do quarto trimestre, num contexto de reestruturação global profunda.
CEO admite erros na estratégia de eletrificação
Em comunicado, o CEO Antonio Filosa reconheceu erros estratégicos e operacionais, admitindo que a empresa superestimou o ritmo da transição energética. Segundo o responsável, essa abordagem afastou a oferta da Stellantis “das necessidades e desejos reais de muitos clientes”.
Filosa apontou ainda falhas de execução operacional herdadas de gestões anteriores, afirmando que estas estão agora a ser corrigidas por uma nova equipa de liderança.
Eletrificação continua, mas ao ritmo do mercado
Apesar do reconhecimento dos erros, a Stellantis garantiu que não vai abandonar a eletrificação, mas irá ajustar o ritmo da transição. A nova abordagem passará a ser guiada pela procura do mercado, e não por imposições regulatórias.
A empresa comprometeu-se a apresentar uma estratégia de longo prazo revista no próximo Dia do Mercado de Capitais, agendado para maio.
Medidas financeiras para proteger o balanço
Perante o cenário adverso, a Stellantis decidiu suspender o pagamento de dividendos em 2026 e anunciou planos para captar até 5 mil milhões de euros através da emissão de títulos híbridos. Segundo o grupo, esta combinação de medidas visa preservar a solidez financeira durante o processo de reestruturação.
Para 2026, a empresa prevê um crescimento de um dígito médio na receita líquida e uma melhoria modesta da margem operacional ajustada.
Reestruturação inclui cortes e novos investimentos
Entre as medidas já implementadas, a Stellantis anunciou o maior investimento da sua história nos Estados Unidos, o lançamento de dez novos produtos, o cancelamento de modelos sem escala ou rentabilidade e a reorganização de fábricas e processos de controlo de qualidade.
O plano norte-americano prevê ainda a criação de 5.000 novos postos de trabalho. No total, o custo destas iniciativas atingiu 22,2 mil milhões de euros, segundo dados citados pela CNBC.
Apesar do impacto financeiro, a empresa afirma que o pacote permitiu uma retoma do crescimento dos volumes em 2025. No segundo semestre, a quota de mercado da Stellantis nos EUA subiu para 7,9%, enquanto o grupo manteve a segunda posição na Europa alargada.
Stellantis sai de fábrica de baterias no Canadá
Outra decisão simbólica foi a venda da participação de 49% na NextStar Energy, uma joint venture com a LG Energy Solution, responsável por uma fábrica de baterias no Canadá. A totalidade da participação será assumida pela parceira sul-coreana.
Este projeto fazia parte da estratégia definida em 2022 pelo antigo CEO Carlos Tavares, que previa que 100% das vendas na Europa e 50% nos EUA fossem de veículos elétricos até ao final da década.
Fonte: Reuters
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