CEO da Ferrari garante: elétrico polémico já tem interessados
O primeiro elétrico da Ferrari continua a dividir opiniões. Depois da apresentação em Roma e de uma reação fria dos mercados, a marca garante que o interesse dos clientes está a ser forte.
Ferrari defende o Luce após críticas
O CEO da Ferrari, Benedetto Vigna, defendeu publicamente o novo Luce, o primeiro modelo 100% elétrico da marca italiana, depois de vários comentários críticos sobre o design e sobre a decisão da Ferrari avançar para um automóvel totalmente elétrico.
O modelo foi apresentado em Roma com um preço de 550 mil euros e marcou uma viragem importante para Maranello. A Ferrari, historicamente associada aos motores a gasolina de elevado desempenho, passa assim a ter um elétrico na sua gama.
A estreia, no entanto, não foi consensual. Nas redes sociais, vários utilizadores criticaram o desenho do Luce, com alguns a afirmarem que o modelo “não parecia um Ferrari”. A reação também chegou aos mercados financeiros, com as ações da marca a caírem mais de 8% após a apresentação.
CEO garante forte interesse dos clientes
Apesar das críticas, Benedetto Vigna afirmou que a receção comercial do novo Ferrari Luce está a ser positiva. Durante um evento automóvel em Modena, no norte de Itália, o responsável declarou: “Há um grande interesse, inclusive de novos clientes”.
Segundo o CEO, a Ferrari mostrou o novo modelo a 1.600 clientes durante o lançamento em Roma, realizado entre segunda e terça-feira. Os livros de encomendas foram abertos na quarta-feira seguinte.
Vigna acrescentou que a marca já recebeu sinais concretos de intenção de compra. “Já recebemos transferências bancárias, os clientes que estavam lá o querem”, afirmou o responsável, indicando que números mais precisos sobre as encomendas serão divulgados em julho, aquando da apresentação dos resultados do segundo trimestre.
Ações caíram após apresentação
A apresentação do Luce teve impacto imediato na bolsa. As ações da Ferrari caíram mais de 8% na terça-feira, refletindo a reação negativa de investidores e críticos ao novo elétrico.
Na quarta-feira, os títulos fecharam praticamente estáveis e, na quinta-feira, recuperaram mais de 3%. A reação mostra que o Luce continua a ser analisado com atenção, tanto pelo mercado financeiro como pelos clientes da marca.
A bolsa é particularmente sensível a lançamentos deste tipo porque o primeiro elétrico da Ferrari representa mais do que um novo modelo. Trata-se de um teste à capacidade da marca transportar a sua identidade para a era elétrica sem perder exclusividade, margem e desejo comercial.
Vigna rejeita comparações com outros elétricos
O CEO da Ferrari também respondeu às críticas sobre o design e rejeitou a ideia de que o Luce tenha sido inspirado ou copiado de outros modelos elétricos, incluindo propostas chinesas.
Vigna afirmou que os críticos devem ver e experimentar o carro antes de tirarem conclusões. “Se você o vir e experimentar, entenderá imediatamente que não foi copiado e que não tem nada a ver com outros EVs que você já viu e que são produzidos por outros, em termos de interiores, exteriores e desempenho”, declarou.
EV é a sigla inglesa para electric vehicle, ou veículo elétrico. No caso do Ferrari Luce, significa que o modelo não utiliza motor de combustão e depende exclusivamente de propulsão elétrica.
Luce não substitui Ferrari a gasolina e híbridos
Benedetto Vigna sublinhou ainda que o Luce deve ser entendido como um acréscimo à gama Ferrari, e não como uma substituição dos modelos tradicionais da marca.
A Ferrari continuará a vender automóveis com motor a gasolina e modelos híbridos. Esta estratégia permite à marca manter diferentes soluções mecânicas em simultâneo, respondendo a clientes que valorizam motores de combustão, eletrificação parcial ou propostas totalmente elétricas.
Um veículo híbrido combina motor de combustão com motor elétrico. Já um elétrico puro, como o Luce, usa apenas energia armazenada em bateria para se mover.
Preço elevado justificado pela inovação
O preço de 550 mil euros coloca o Ferrari Luce num patamar muito elevado, mesmo dentro do universo dos automóveis de luxo. Questionado sobre este valor, Vigna defendeu que é justo pagar pela inovação.
A Ferrari aposta, assim, numa interpretação elétrica do seu posicionamento tradicional: exclusividade, tecnologia, desempenho e forte personalização. Resta perceber se a procura confirmará o otimismo da marca quando forem divulgados os primeiros números oficiais de encomendas.
Fonte: Reuters
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