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Mercado chinês está saturado e marcas já procuram a solução

Mercado chinês está saturado e marcas já procuram a solução

O maior mercado automóvel do mundo começa a dar sinais de cansaço. Com vendas em queda, oferta excessiva e exportações em forte crescimento, os construtores chineses aceleram a expansão internacional.

Mercado automóvel chinês dá sinais de saturação

Durante anos, a China foi vista como o grande motor de crescimento da indústria automóvel mundial. O país atraiu fabricantes, impulsionou os veículos elétricos e deu origem a dezenas de novas marcas. Agora, esse ritmo começa a abrandar.

William Li, diretor-executivo da NIO, considera que o mercado chinês chegou a um novo ponto de maturidade. “Já não é um mercado em crescimento, mas sim um mercado saturado”, afirmou o responsável.

A declaração surge num momento em que várias marcas chinesas procuram crescer fora do mercado interno, especialmente na Europa, América Latina, Médio Oriente e outros mercados onde ainda existe margem para expansão.

Vendas caem, mas exportações disparam

As vendas de automóveis na China estão em queda há sete meses consecutivos. Esta tendência contrasta com o crescimento acelerado das exportações, mostrando que os fabricantes chineses estão a compensar a pressão interna com uma presença internacional cada vez mais forte.

Atualmente, o parque automóvel chinês conta com cerca de 370 milhões de veículos. Para este ano, é esperada uma estagnação das vendas, num contexto de abrandamento também nos elétricos e híbridos plug-in.

Oferta excessiva aumenta pressão sobre marcas

A China tornou-se um dos mercados mais competitivos do mundo. No final de 2025, existiam no país perto de 700 modelos eletrificados diferentes e mais de 1.100 modelos no total, segundo dados do Global EV Outlook da Agência Internacional de Energia.

Esta enorme oferta cria pressão sobre preços, margens e capacidade de diferenciação. Com tantas marcas e modelos a disputarem o mesmo público, torna-se mais difícil manter crescimento sustentado dentro do mercado chinês.

O fenómeno ajuda a explicar a aposta crescente nas exportações. Para muitos fabricantes, crescer fora da China passou a ser uma necessidade estratégica, não apenas uma oportunidade.

Números mostram abrandamento interno

Os dados publicados pela Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis mostram uma desaceleração clara. Em abril, as vendas de automóveis caíram 2,5% face ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos primeiros quatro meses de 2026, a quebra foi de 4,8%.

A produção também recuou, com uma descida de 5,5%. Esta evolução foi explicada sobretudo pelas vendas mais fracas de veículos de passageiros, embora os comerciais tenham registado crescimento.

Mesmo os veículos de novas energias, conhecidos pela sigla NEV, apresentam um crescimento mais moderado. Este termo é usado na China para englobar modelos 100% elétricos, híbridos plug-in e outras soluções eletrificadas. Em abril, as vendas deste tipo de veículos subiram 9,7%, mas entre janeiro e abril o aumento foi de apenas 0,1%.

China acelera presença fora de portas

Enquanto o mercado interno perde dinamismo, as exportações continuam a crescer de forma expressiva. Só em abril, a China exportou 901 mil veículos, mais 74,4% do que no mesmo mês do ano anterior.

Nos primeiros quatro meses de 2026, as exportações atingiram 3,127 milhões de unidades, uma subida de 61,5%. Estes números ajudam a explicar porque tantas marcas chinesas estão a entrar com força em mercados internacionais.

Na União Europeia, os fabricantes chineses representaram cerca de 6% das novas matrículas entre janeiro e abril. Quando se incluem também o Reino Unido e os países da EFTA, esse valor sobe para mais de 7%.

A EFTA, ou Associação Europeia de Comércio Livre, inclui países europeus que não pertencem à União Europeia, como Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein.

Fonte: Reuters


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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