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Europa prepara travão aos híbridos chineses

Europa prepara travão aos híbridos chineses

Depois dos carros elétricos, os híbridos fabricados na China estão agora na mira de Bruxelas. A União Europeia quer limitar voluntariamente as exportações chinesas e admite avançar com medidas próprias se não houver acordo.

Europa vira atenções para os híbridos chineses

Em 2024, a União Europeia aplicou tarifas adicionais aos automóveis elétricos produzidos na China. Os híbridos e híbridos plug-in ficaram, contudo, fora desse regime.

Esta diferença permitiu aos fabricantes chineses continuar a aumentar as vendas deste tipo de automóveis na Europa sem estarem sujeitos às mesmas barreiras aplicadas aos veículos 100% elétricos.

Algumas marcas começaram também a apostar na produção em território europeu para reduzir a exposição às tarifas. Nos híbridos, porém, a entrada no mercado continuou a ser mais simples.

Bruxelas quer limitar a quota a cerca de 15%

A União Europeia estará agora a pedir à China uma limitação voluntária das exportações de híbridos para o mercado europeu.

O objetivo avançado é fazer com que estes automóveis representem cerca de 15% do mercado, numa altura em que a presença dos modelos chineses tem aumentado rapidamente.

O documento aponta para uma quota atualmente próxima dos 33% e refere que as importações de híbridos fabricados na China ultrapassaram as 50 mil unidades apenas até julho de 2026.

UE prefere acordo antes de avançar com novas medidas

Em janeiro, a Comissão Europeia confirmou que não existia qualquer investigação específica aos híbridos chineses. Em junho, porém, começaram a surgir informações sobre possíveis medidas para limitar o crescimento destas importações.

Para já, Bruxelas parece preferir uma solução negociada. Em vez de impor imediatamente novas tarifas, pretende que Pequim aceite voluntariamente reduzir as exportações.

Mas a União Europeia deixa claro que poderá agir unilateralmente caso não exista acordo.

“Se não limitarem as exportações para o nosso mercado, seremos nós a fazê-lo. Isto é uma questão de travar a desindustrialização. Temos de agir. Trata-se de gerir o comércio”, afirmou um responsável euro.China rejeita acusações europeias

Pequim rejeita as acusações de excesso de capacidade produtiva e de apoios estatais capazes de distorcer a concorrência.

As autoridades chinesas consideram que estes argumentos estão a ser usados como justificação para políticas protecionistas contra os produtos provenientes da China.

O conflito comercial também ultrapassa o setor automóvel. Bruxelas procura limitar as exportações chinesas noutros setores, incluindo produtos químicos, enquanto pretende aumentar as compras chinesas de produtos europeus.

Outubro pode ser decisivo

A União Europeia pretende obter resultados concretos nas negociações já no início de outubro.

O comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, deverá deslocar-se à China nessa altura, num momento que poderá ser decisivo para perceber se haverá um acordo voluntário ou se Bruxelas avançará com novas medidas.

Caso a China rejeite a proposta, os híbridos poderão tornar-se o próximo capítulo da disputa comercial que começou por atingir diretamente os automóveis elétricos produzidos no país.


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Miguel Braga
Miguel Braga
Miguel Braga integra a equipa editorial da Auto.pt, é licenciado em Comunicação Empresarial e sempre manteve uma forte ligação ao mundo automóvel, uma das suas áreas de eleição.

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